September 3, 2018 / 4:54 PM / 3 months ago

Ciro diz que é mentira necessidade de tratar reformas econômicas diferentes em etapas separadas

SÃO PAULO (Reuters) - O candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, disse nesta segunda-feira que é uma mentira a ideia de tratar reformas econômicas como tributária e da Previdência como capítulos separados e que, caso eleito, tentará aprovar essas medidas de forma conjunta nos primeiros seis meses de governo, embora saiba que provavelmente irá se deparar com um Congresso “fragmentado”.

Candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, em Curitiba 01/09/2018 REUTERS/Rodolfo Buhrer

“Existe uma mentira no discurso político tradicional brasileiro que é você tratar essas reformas por capítulos estanques. Quem conhece o problema de verdade sabe que o financiamento da Previdência tem interação instantânea com o sistema tributário”, afirmou o candidato durante sabatina promovida por UOL, Folha de São Paulo e SBT nesta segunda-feira.

Para Ciro, a população precisa votar conscientemente na hora de compor o Congresso e pediu que o povo não o mande a Brasília de “mãos e pés amarrados”.

“Não adianta eleger um bom presidente ou uma boa presidenta e descuidar do voto do deputado, do senador”, argumentou.

Ele explicou que sua tática consiste em propor antes e levar “pancada”. O que persistir de impasse, será definido pelo povo em plebiscitos e referendos, disse.

“Propor na primeira hora faz a eleição ser uma espécie de plebiscito, dizendo ao Congresso: olha, não foi só o cara que foi eleito, foram as ideias”, defendeu.

Aliado à proposta de votar essas medidas em seis meses, aproveitando a “alta energia” após a eleição, Ciro disse que irá, em paralelo, convocar governadores e prefeitos para um redesenho do pacto federativo, o que pode acontecer até antes da sua eventual posse.

“Hoje os Estados e municípios estão quebrados, já com efeitos deletérios sobre educação, segurança, transporte, todas essas coisas. Aqui está o centro de gravidade real da política brasileira. Não é Brasília”, afirmou ele, acrescentando que já está pensando em projetos para os Estados do Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

O candidato reafirmou sua promessa de revogar o teto de gastos e disse que, se tiver força política, fará isso num primeiro momento de seu governo.

“Esse teto de gastos deixa toda a dinheirama para bancos livre, para os privilégios da Previdência livre e vai arrochar em cima de educação, saúde, deixar nosso povo morrer por aí afora.”

PSDB E ALCKMIN

Ao ser questionado se deixaria o cargo de presidente caso se visse envolvido em algum escândalo, uma das propostas de seu programa para combater a corrupção, Ciro disse que sim e que o papel do presidente não é só não roubar, mas também não deixar roubar, aproveitando para criticar o presidenciável do PSDB, Geraldo Alckmin.

“Eu não tenho dificuldades com as questões escandalosas que envolvem o Alckmin, mas é flagrante que ele deixa roubar. Não é brincadeira. É flagrante que ele deixa roubar”, disse Ciro.

“Muito pouca gente séria permanece hoje no PSDB e os sérios que ficaram estão constrangidos”, afirmou ele, dizendo que esta é a posição de alguém que ajudou a fundar o PSDB no passado.

Pouco depois, em campanha também em São Paulo, Alckmin respondeu a declaração do pedetista de que é “flagrante” que o tucano “deixa roubar”.

“É um irresponsável”, rebateu o ex-governador de São Paulo se referindo a Ciro.

LOCAUTE

Ciro ainda prometeu que em um governo seu não haverá locautes, como o que teria havido na greve dos caminhoneiros deste ano.

“Locaute é crime no Brasil. Não é porque eu sou danado, não. Eu sou professor de direito. Locaute, ou seja, greve de empresário para prejudicar a coletividade é crime como tal definido em lei”, disse o pedetista.

“Eu, presidente, não tem conversa: quem transgredir a lei, vai preso. Não sou dessa esquerdinha boboca que fica alisando bandido”, explicou, acrescentando que avalia que por trás das greves, havia empresários.

Reportagem de Laís Martins

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