September 6, 2018 / 8:25 PM / in 14 days

Dólar cai quase 1% ante real com exterior e cena eleitoral no Brasil

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou esta quinta-feira em baixa de quase 1 por cento ante o real, em meio à recuperação de divisas de países emergentes no exterior e após atentado sofrido pelo candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, levando o mercado a avaliar que isso poderia fazer candidatos mais à esquerda perderem fôlego na corrida eleitoral.

Pessoas refletidas em vitrine de casa de câmbio no Rio de Janeiro, Brasil 08/06/2018 REUTERS/Ricardo Moraes

O pregão também foi marcado por volume mais baixo pelo feriado do Dia da Independência no dia seguinte e que manterá os mercados locais fechados.

O dólar recuou 0,95 por cento, a 4,1042 reais na venda, mas acumulou alta de 0,78 por cento na semana. Em agosto, a moeda norte-americana ganhou de mais de 8 por cento.

O dólar futuro tinha queda de cerca de 1 por cento no final da tarde.

“Com o exterior mais tranquilo, o investidor resolveu dar uma parada (nas compras) por aqui”, comentou um operador de câmbio de uma corretora local.

O dólar recuava frente a moedas de países emergentes, após recentes altas em meio ao cenário delicado em diversos países, como Turquia e Argentina, mas sem deixar de lado as preocupações com a guerra comercial patrocinada pelos Estados Unidos com seus parceiros.

A moeda norte-americana também recuava ante uma cesta de moedas.

A queda do dólar ganhou um pouco mais de fôlego na reta final do pregão, após a notícia de que Bolsonaro havia sido alvo de uma facada na região do abdômen durante evento de campanha em Juiz de Fora (MG).

Segundo informações da GloboNews, o político estava passando por uma cirurgia. Antes, Flavio Bolsonaro, um dos filhos do candidato do PSL, disse que o candidato passava bem e que havia levado seis pontos no local do ferimento.

“A primeira interpretação é de que a esquerda pode perder força nas eleições”, disse um gestor de derivativos de uma corretora estrangeira.

Nova pesquisa Ibope publicada na noite passada mostrou que Bolsonaro continuava na liderança na corrida ao Palácio do Planalto, com 22 por cento, seguido de Marina Silva (Rede), com 12 por cento.

Um dos destaques ficou por conta do avanço acima da margem de erro de Ciro Gomes (PDT), a 12 por cento, sobre 9 por cento antes. O candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, oscilou para 9 por cento, de 7 por cento antes, enquanto Fernando Haddad (PT) ficou com 6 por cento, frente a 4 por cento.

O mercado avalia que Alckmin seria mais comprometido com reformas que considera necessárias ao ajuste fiscal do país. Por outro lado, vê candidatos de esquerda com menos cuidado com as contas públicas.

“O atentado favorece candidatos de direita, que defendem ação mais enérgica do estado contra criminosos”, comentou um gestor de derivativos de um banco estrangeiro.

Para o analista político e sócio da Hold Assessoria Legislativa, André Cesar, essa situação pode favorecer a candidatura de Bolsonaro se for comprovado que o atentado teve conotação política.

“E também o inverso... Por isso, é necessário se deixar tudo absolutamente esclarecido”, afirmou ele, acrescentando que podem surgir especulações de que o atentado possa ter sido armado.

No dia seguinte, quando os mercados domésticos estarão fechados por causa do feriado, será conhecida mais pesquisa eleitoral encomendada pela XP Investimentos sobre a corrida eleitoral e, nos Estados Unidos, serão divulgados dados sobre o mercado de trabalho, indicador bastante acompanhado pelo Federal Reserve, banco central norte-americano, na formulação de sua política monetária.

Em meio a tantas incertezas, pesquisa da Reuters com estrategistas e economistas mostrou que o dólar deve recuar 8,7 por cento, a 3,79 reais em 12 meses, se comparado com o atual patamar ao redor de 4,15 reais, de acordo com a mediana de 30 estimativas coletadas entre 31 de agosto e 4 de setembro.

Seria uma taxa um pouco mais alta do que o resultado de 3,60 reais apurado na pesquisa do mês passado, revisão surpreendentemente pequena após a moeda marcar sua maior alta mensal em três anos no mês passado. O dólar saltou 8,46 por cento em agosto.

Mas esse dado provavelmente não representa adequadamente o quanto os especialistas estão correndo para atualizar suas estimativas. O desvio padrão, uma medida de dispersão, atingiu o maior nível desde maio de 2016, época do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, superando um pico atingido em junho.

O Banco Central brasileiro ofertou e vendeu integralmente 10,9 mil swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares, rolando 2,18 bilhão de dólares do total de 9,801 bilhões de dólares que vence em outubro.

Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final do mês, terá feito a rolagem integral.

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