September 18, 2018 / 6:09 PM / 3 months ago

Aumento do desmatamento em terra indígena ameaça tribo isolada da Amazônia, diz ONG

Área desmatada em terra indígena da Amazônia 25/03/2014 REUTERS/Lunae Parracho

RIO DE JANEIRO (Thomson Reuters Foundation) - Madeireiros ilegais e grileiros desmataram uma área de 1.863 hectares de uma terra indígena na Amazônia brasileira neste ano, ameaçando uma tribo indígena isolada, disseram ativistas nesta terça-feira.

Imagens de satélite coletadas pelo Instituto Socioambiental (ISA), uma organização não governamental, detectaram o aumento do desmatamento na terra indígena de Ituna Itata, no norte do Pará.”Essa situação preocupa muito”, disse Juan Doblas, analista sênior de geoprocessamento da ISA, à Thomson Reuters Foundation.”São riscos em série, sobretudo para os indígenas isolados, fora o risco de atingir outros territórios indígenas”.A Fundação Nacional do Índio (Funai) e a Polícia Federal não estavam disponíveis de imediato para comentar. Já o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) disse em um comunicado que dados oficiais sobre o desmatamento na Amazônia serão divulgados em novembro.As tribos isoladas do Brasil, algumas das últimas do planeta, dependem de áreas amplas de florestas intactas para caçar animais e coletar os alimentos de que necessitam para sobreviver.

Elas ficam particularmente vulneráveis quando seus direitos de posse de terra são ameaçados porque carecem de imunidade natural contra doenças que são transmitidas por pessoas de fora, de acordo com grupos de direitos humanos.

A perda florestal em Ituna Itata —onde foi proibida a entrada de forasteiros em 2011 para proteger a tribo isolada— saltou de 2 hectares em maio para 880 hectares em agosto, disse o ISA, que monitora a área com satélites desde janeiro.O Brasil têm registrado dezenas de conflitos de terra com mortos, o que ilustra a tensão entre a preservação da cultura indígena e o desenvolvimento econômico.Em abril o ISA fez uma queixa a autoridades federais e estaduais a respeito da destruição da floresta e do corte ilegal de árvores na área durante a temporada de chuvas, o que é incomum, disse Doblas.”Era um sinal de que algo muito grande ia acontecer. E aconteceu”, afirmou. “Era uma preparação da invasão”.O Ibama reagiu em maio enviando patrulhas que interromperam o desmatamento temporariamente, disse ele, acrescentando que o ISA pretende apresentar uma nova queixa nesta semana usando dados atualizados e imagens de satélites.

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