October 8, 2018 / 2:14 AM / 13 days ago

Queremos unir os democratas do Brasil, diz Haddad após confirmação de 2º turno com Bolsonaro

SÃO PAULO (Reuters) - Na primeira declaração depois da confirmação do segundo turno com o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, o petista Fernando Haddad afirmou que quer unir o país em defesa da democracia, já dando o tom de conciliação que pretende usar para tentar recuperar, na segunda rodada, o espaço ganho pelo discurso antipetista que deu 46 por cento dos votos válidos a Bolsonaro.

Haddad, comemora 2º turno em São Paulo 7/10/2018 REUTERS/Paulo Whitaker

“Queremos unir os democratas do Brasil, as pessoas que têm atenção aos mais pobres do Brasil, sempre tão desigual”, disse Haddad, que teve 29 por cento dos votos válidos.

O candidato petista revelou que, ao ser definido que realmente a eleição iria para um segundo turno, já conversou com três dos concorrentes, do campo de centro-esquerda. O petista tomou a iniciativa de telefonar para Ciro Gomes (PDT), que ficou em terceiro lugar, com pouco mais de 12,5 por cento dos votos válidos, e para Guilherme Boulos (PSOL), que estava com 0,6 por cento próximo à finalização da apuração. Marina Silva (Rede), que conseguiu 1 por cento, telefonou para Haddad para cumprimentá-lo.

“Tenho muito respeito e consideração por todos que concorreram até aqui. Espero que possamos manter pontes do diálogo aberto, porque o Brasil merece que nos integremos”, afirmou.

Haddad falou por cerca de 10 minutos depois de acompanhar a apuração em uma sala reservada, com o comando da campanha, em um hotel da capital paulista. O candidato petista classificou o atual pleito de “incomum”.

“Essa eleição coloca muita coisa em risco. O próprio pacto da Constituição de 88 está em jogo em função das ameaças que recebe todos os dias”, disse. “Nós não portamos armas. Nós vamos com a força do argumento para defender o Brasil e seu povo. Sempre estive do lado da legalidade e da democracia, não vou abrir mão dos meus valores”.

Era pouco mais de 20h quando os petistas reunidos para acompanhar a apuração da votação explodiram em comemoração, quando os resultados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicaram que o segundo turno entre Haddad e Bolsonaro estava confirmado. A comemoração, digna de uma vitória, se justificava ante a tensão das horas anteriores, quando o pessimismo tomou conta do partido.

Diante das pesquisas divulgadas durante a semana, o PT adotou um “otimismo cauteloso” e acreditava na realização de um segundo turno. No entanto, os levantamentos estaduais de boca de urna, que mostraram um crescimento repentino de aliados do candidato do PSL acabaram com o ânimo.

Petistas ouvidos pela Reuters admitiam a tensão com o risco crescente de que a eleição acabasse no primeiro turno com a derrota de Haddad. Um desastre nessas proporções, admitiu um deles, seria um baque como de proporções incalculáveis para o partido. Boatos de que a pesquisa presidencial de boca de urna do Ibope viria indicando a vitória de Bolsonaro no primeiro turno alimentavam o pessimismo.

O primeiro alívio veio com a revelação da pesquisa, comemorada como um gol. A tensão voltou a subir e só se aliviou com a confirmação do segundo turno.

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