October 9, 2018 / 3:26 PM / 10 days ago

Haddad diz que busca recompor campo democrático de centro-esquerda para 2º turno

SÃO PAULO (Reuters) - O candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, disse nesta terça-feira que trabalha para recompor o que chama de campo democrático de centro-esquerda e está conversando com PDT, PSB e PSOL sobre apoios no segundo turno, mas não se está tratando de cargos em um eventual governo.

Candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, fala com jornalistas ao chegar para reunião do PT, em São Paulo 09/10/2018 REUTERS/Amanda Perobelli

“Sempre fomos favoráveis ao campo democrático popular, que esses partidos sempre estivessem juntos no segundo turno em defesa da democracia e dos direitos. Essa recomposição de campo é importante para nós”, disse Haddad.

“Estamos em contato com Ciro, com as lideranças do PSB, do PSOL, para formar essa coalizão, acrescentou.

Haddad, que conversou com jornalistas na chegada à reunião da Executiva do PT, recebeu na noite de segunda a visita de Mangabeira Unger, um dos principais colaboradores da campanha de Ciro. I partido também já conversou com Carlos Siqueira, presidente do PSB —o partido reúne nesta terça a Executiva para decidir a posição no segundo turno— e com Guilherme Boulos, ex-candidato pelo PSOL, que já declarou apoio.

Haddad disse ainda que não houve contatos com o PSDB e que não sabe qual a posição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, com quem tem uma boa relação. “Vi duas declarações contraditórias dele, não sei qual é a mais recente”, disse.

O PT tem feito movimentos para acomodar ideias de aliados e facilitar os apoios para o segundo turno. Ontem, decidiu tirar do programa de governo o ponto que falava de criar ambiente para uma Constituinte, uma questão que incomodava o PCdoB, que já está na aliança, o PSB e também havia sido publicamente criticado por Ciro.

Hoje, o partido dá destaque em suas redes sociais ao programa Dívida Zero, inspirado na ideia de Ciro de renegociar as pequenas dívidas individuais e deu origem a uma de suas principais frases, “eu vou tirar seu nome do SPC”.

LIBERDADE DE EXPRESSÃO \

Haddad começou sua fala aos jornalistas defendendo a jornalista da Globo Miriam Leitão, que tem sido atacada por ter criticado o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, e disse que sua campanha fez um gesto em direção à campanha de Bolsonaro para o combate à notícias falsas.

“As duas campanhas podiam se ajudar e contribuir para que as pessoas recebessem informações reais sobre o que cada um pensa”, disse. “Nós acenamos ontem e recebemos uma resposta no nível do candidato.”

Bolsonaro chamou Haddad de “canalha” ao responder pelo Twitter a proposta que o petista fez em uma entrevista.

Reportagem de Lisandra Paraguassu

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