October 28, 2018 / 12:38 PM / in 18 days

Haddad aponta "forte tendência de alta" em intenção de voto e diz estar esperançoso

SÃO PAULO (Reuters) - O candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, disse neste domingo estar esperançoso de que terá um “grande resultado” no segundo turno da disputa pelo Palácio do Planalto, afirmando que pesquisas indicam uma forte tendência de alta nas intenções de voto em sua candidatura.

Candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad 28/10/2018 REUTERS/Amanda Perobelli

“Nós estamos com uma forte tendência de alta nas pesquisas do último dia e eu estou muito esperançoso de que nós vamos ter um grande resultado hoje à noite”, disse Haddad a repórteres após registrar seu voto em um colégio da zona sul da capital paulista.

O petista, que chegou à seção eleitoral por volta das 10h20 acompanhado da mulher, Ana Estela, disse ainda que a democracia no Brasil está em risco com a possibilidade de vitória do candidato do PSL, Jair Bolsonaro.

“A nação está em risco, a democracia está em risco e as liberdades individuais estão em risco. Nós representamos a retomada do processo de aprofundamento da democracia, das liberdades e do combate à desigualdade no nosso país”, afirmou.

A chegada do candidato à escola foi marcada por grande concentração de apoiadores de sua candidatura que seguravam rosas brancas, livros e guarda-chuvas coloridos.

Os manifestantes entoaram gritos de ordem e cantaram a música “Alerta, desperta, ainda cabe sonhar”, usada em outras manifestações da campanha petista, enquanto moradores de prédios no entorno batiam panelas em oposição a Haddad.

Após a saída do candidato do PT, os apoiadores permaneceram no local e responderam, sem embates, a alguns protestos contra o partido, antes de se dispersarem.

Mais cedo, falando a repórteres após café da manhã em hotel de São Paulo com a coordenação da campanha e dirigentes do PT, Haddad já tinha expressado confiança devido às alterações nas últimas pesquisas, afirmado que irá “lutar até o último minuto”.

A eleição presidencial deste domingo tem Bolsonaro como favorito, enquanto Haddad tenta uma virada difícil, que seria feito inédito em eleições presidenciais no Brasil.

De acordo com pesquisas Ibope e Datafolha divulgadas no sábado, o capitão da reserva do Exército deverá confirmar neste domingo a liderança mostrada nas urnas três semanas atrás.

Segundo o Ibope, Bolsonaro chega ao dia da eleição com 54 por cento dos votos válidos, enquanto Haddad soma 46 por cento. No levantamento anterior do instituto, divulgado na terça-feira, Bolsonaro aparecia com 57 por cento dos votos válidos, enquanto Haddad tinha 43 por cento.

Já pelo Datafolha divulgado na véspera do pleito, Bolsonaro tem 55 por cento dos votos válidos, contra 45 por cento de Haddad. Pesquisa anterior do instituto, divulgada na quinta-feira, mostrava o capitão da reserva com 56 por cento dos válidos, enquanto o ex-prefeito de São Paulo somava 44 por cento.

Professor da Universidade de São Paulo (USP), 55 anos, formado em direito, com mestrado em economia e doutorado em filosofia, Haddad é filiado ao PT desde a juventude, mas teve pouca atuação partidária.

Foi ministro da Educação de 2005 a 2012, nos governos dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, e depois foi eleito prefeito de São Paulo, mas não conseguiu se reeleger.

Depois de deixar a prefeitura derrotado por João Dória (PSDB) no primeiro turno em 2016, Haddad voltou a dar aulas na universidade, enquanto pela primeira vez se imiscuía diretamente na vida partidária, mesmo que sem ter nenhum cargo.

Passou a ser um dos interlocutores mais próximos do ex-presidente Lula, um dos seus confidentes e um dos poucos capazes de dizer a ele coisas que não gostaria de ouvir.

Assumiu a cabeça de chapa da candidatura do PT depois que Lula teve seu registro barrado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com base na Lei da Ficha Limpa, uma vez que cumpre pena de prisão desde abril por condenação por corrupção e lavagem de direito no âmbito da operação Lava Jato.

Reportagem adicional de Lisandra Paraguassu; Texto de Maria Clara Pestre; Edição de Pedro Fonseca

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