October 29, 2018 / 12:05 AM / in 21 days

Bolsonaro é eleito presidente e promete respeitar a Constituição e unificar o país

Por Eduardo Simões, Ricardo Brito e Rodrigo Viga Gaier

Bolsonaro, em seção eleitoral no Rio de Janeiro 28/10/2018 REUTERS/Pilar Olivares

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO, 28 Out (Reuters) - O capitão da reserva do Exército Jair Bolsonaro, de 63 anos, foi eleito neste domingo presidente da República e em seu primeiro pronunciamento após derrotar o petista Fernando Haddad prometeu respeitar a Constituição, fazer um governo democrático e unificar o Brasil, baixando o tom que adotou em uma das campanhas mais polarizadas da história do país.

“Faço de vocês minhas testemunhas de que este governo será um defensor da Constituição, da democracia e da liberdade. Isso é uma promessa a Deus”, disse Bolsonaro em sua casa na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

“Liberdade é um princípio fundamental. Liberdade de ir e vir, andar nas ruas em todo o país, liberdade de empreender, liberdade política e religiosa, liberdade de formar e ter opinião, liberdade de fazer escolhas e ser respeitado por elas”, acrescentou.

O candidato do PSL também prometeu um governo comprometido com a responsabilidade fiscal e disse que o relacionamento do Brasil com outras nações perderá o que chamou de viés ideológico e passará a ser feito com países que possam agregar comercialmente e tecnologicamente ao Brasil.

“Emprego, renda e equilíbrio fiscal é o nosso compromisso para ficarmos mais próximos de oportunidades e trabalho para todos. Quebraremos o ciclo vicioso do crescimento da dívida, substituindo pelo ciclo virtuoso de menores déficits, dívida decrescente e juros mais baixos. Isso estimulará os investimentos, o crescimento e a consequente geração de emprego”, afirmou.

“Libertaremos o Brasil e o Itamaraty das relações internacionais com viés ideológico a que foram submetidos nos últimos anos. O Brasil deixará de estar apartado das nações mais desenvolvidas, buscaremos relações bilaterais com países que possam agregar valor econômico e tecnológico aos produtos brasileiros. Recuperaremos o respeito internacional pelo nosso amado Brasil”, acrescentou.

Com 99,99 por cento das seções eleitorais apuradas, Bolsonaro tinha 55,1 por cento dos votos válidos, enquanto Haddad tinha 44,9 por cento, de acordo com dados da apuração do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Bolsonaro assume um país em uma profunda crise fiscal —2019 será o sexto ano seguido de déficit primário— e com cerca de 13 milhões de desempregados, além da necessidade de realizar reformas apontada por analistas como cruciais para retomar o crescimento econômico.

Ao ser confirmada a vitória de Bolsonaro, o economista Paulo Guedes, já anunciado pelo candidato do PSL como seu ministro da Fazenda de seu futuro governo, afirmou que buscará zerar o déficit fiscal em um ano e colocou a reforma da Previdência como prioridade.

A eleição de Bolsonaro coloca fim a uma das campanhas eleitorais mais polarizadas da história, com troca de ofensas pessoais entre os dois adversários no segundo turno, e que colocou em dúvida a capacidade de Bolsonaro, conhecido por suas declarações polêmicas e retórica dura, de unir forças em torno de si para governar.

“Naturalmente a tarefa do Bolsonaro vai ser reconstruir as bases políticas para um bom funcionamento do processo decisório, o discurso é uma parcela importante, simbólica desse movimento, mas ainda insuficiente para determinar a natureza do seu governo”, disse o analista político da Tendências Consultoria Integrada Rafael Cortez.

“Vai ter tanto a dimensão do relacionamento com o Congresso, mas me parece que o dilema inicial é a relação com a sociedade, reconstruir a legitimidade da Presidência da República a partir de uma campanha bastante polarizada, não apenas para o seu eleitorado, mas para toda a sociedade.”

FESTA DA VITÓRIA, TRISTEZA DA DERROTA

Ao ser anunciado o resultado da apuração, que mostrou a vitória de Bolsonaro, milhares de apoiadores do capitão da reserva que estavam em frente ao condomínio onde mora o candidato do PSL na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, festejaram.

Em São Paulo, fogos de artifício foram ouvidos, e simpatizantes do capitão da reserva se reuniram para comemorar na avenida Paulista. A tropa de choque da Polícia Militar paulista teve de atuar na avenida para dispersar manifestantes favoráveis ao PT que estavam no local.

Mais cedo, Bolsonaro votou sob forte esquema de segurança nesta manhã em uma escola de uma vila militar do Rio de Janeiro e afirmou que estava confiante de uma vitória.

A eleição de Bolsonaro encerra uma campanha acirrada e de elevado patamar de polarização, apontada por analistas como um plebiscito entre o antipetismo, encarnado por Bolsonaro, e o petismo, que teve Haddad escalado para representá-lo por decisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No hotel onde Haddad e apoiadores acompanharam a apuração, as cerca de 200 pessoas não mostravam muito entusiasmo. O petista assistiu à apuração reunido apenas com a esposa, Ana Estela, os dois filhos, mãe e irmãs. Do lado de fora, em outra sala, com coordenadores de campanha, dirigentes e parlamentares do partido em uma suíte.

Após a apuração do TSE sacramentar a derrota, Haddad fez um discurso de defesa da democracia e de defesa dos direitos daqueles que votaram nele no segundo turno, e prometeu uma oposição voltada aos interesses de todos os brasileiros.

Ao contrário de quando perdeu a eleição para a prefeitura de São Paulo, em 2016, para João Doria, Haddad decidiu, segundo uma fonte, não telefonar para o adversário para parabenizá-lo pela vitória.

“Temos a responsabilidade de fazer uma oposição e colocar os interesses dos brasileiros acima de tudo. Temos que ter compromisso de manter a democracia e não aceitar provocações e ameaças”, disse Haddad.

“Parafraseando o hino nacional, a nação verá que um professor não foge à luta, nem teme quem adora a liberdade a própria morte. Nosso compromisso é um compromisso de vida com esse país.”

Com quase três décadas no Parlamento, Bolsonaro enfrenta agora seu maior desafio político e ainda terá de buscar saídas para fazer a economia do país voltar a crescer.

Reportagem adicional de Lisandra Paraguassu, em São Paulo

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