November 23, 2018 / 1:28 PM / 19 days ago

Sensação de impunidade permanece mesmo após Lava Jato, diz delegada que vai trabalhar com Moro

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Mesmo após quatro anos de operação Lava Jato ainda há uma sensação de impunidade no país e muitos continuam dispostos a praticar crimes, disse nesta sexta-feira a delegada da Polícia Federal Érika Marena, que atuou na operação de combate à corrupção e que fará parte da equipe do futuro ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, no próximo governo.

Agentes da PF durante operação em São Paulo 21/06/2018 REUTERS/Leonardo Benassatto

Durante evento organizado pela FGV Energia, Marena afirmou que mesmo após quase 60 operações ao longo de mais de quatro anos de Lava Jato ainda há políticos, governantes e empresários que acreditam que vale à pena entrar em esquemas de propina, corrupção e desvio de verbas públicas.

“A Lava Jato mostrou que políticos foram para cadeia, mas a sensação de impunidade continua forte e os gestores públicos ainda apostam em direcionar contratação, propina e empresários acham que vale a pena entrar nesse jogo”, disse.

Marena, que assumirá o Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional do próximo governo, disse esperar que a sociedade se mobilize contra os casos de corrupção e que, além de uma melhora nos mecanismos de gestão das verbas públicas, se desenvolva um sentimento de inconformismo entre a população.

“O que eu espero após a Lava Jato é inconformismo da nossa população quanto ao que acontece. Não é possível a quantidade de impostos nesse país, a começar do mais humilde, e não é possível ver após a Lava Jato haver operações deflagradas diariamente”, disse.

Marena criticou ainda o fechamento de unidades de delegacias de combate à corrupção pelo Brasil, e cobrou um maior engajamento dos governos no combate aos desvios e irregularidades.

“Espero que uma herança da Lava Jato seja inconformismo com a situação, que tenhamos um governo comprometido com o combate a corrupção, que fortaleça as instituições que atuam nisso com pessoas e materiais”, disse.

“A Lava Jato teve e tem sua importância, mas vemos, infelizmente, dioturnamente operações mostrando que ainda há muitas pessoas dispostas a roubar o país”, acrescentou.

Nesta sexta-feira, a Lava Jato deflagrou sua 56ª fase para cumprir 22 mandados de prisão e diversas ordens de busca e apreensão como parte de investigação sobre suspeita de pagamento de propina de 68 milhões de reais de empreiteiras a agentes públicos e empresários na construção de um prédio da Petrobras na Bahia. [nL2N1XY07R]

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier; Edição de Pedro Fonseca)

pedro.fonseca@thomsonreuters.com; 55 21 2223-7128; Reuters Messaging:pedro.fonseca.thomsonreuters.com@reuters.net

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