May 3, 2019 / 1:41 PM / 5 months ago

Coreia do Norte reduz porções alimentares após colheita ruim, diz ONU

Gerente de cooperativa de agricultores da Coreia do Norte em área de plantio afetada por problemas climáticos 29/09/2011 REUTERS/Damir Sagolj

GENEBRA (Reuters) - A Coreia do Norte reduziu as porções alimentares a 300 gramas por dia, a menor quantia para esta época do ano, e novos cortes são prováveis após a pior colheita em uma década, disse a Organização das Nações Unidas (ONU) nesta sexta-feira.

A ONU realizou uma avaliação alimentar a pedido da Coreia do Norte entre 29 de março e 12 de abril. A entidade teve amplo acesso, inclusive a cooperativas agrícolas, lares rurais e urbanos, creches e centros de distribuição de alimentos.

“Esta nova avaliação de segurança alimentar... revelou que, após a pior colheita em 10 anos, devida a períodos de seca, ondas de calor e inundações, 10,1 milhões de pessoas sofrem de insegurança alimentar grave, o que significa que não têm comida suficiente até a próxima colheita”, disse o porta-voz do Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PMA), Herve Verhoosel.

O levantamento mostrou que a ingestão de proteína no país é muito baixa — algumas famílias só consomem proteína algumas vezes por ano.

O PMA e a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), que realizaram a pesquisa juntos, estão entre as poucas agências humanitárias que têm acesso à Coreia do Norte, que sofreu um surto de fome em meados dos anos 1990 que matou até 3 milhões de pessoas.

A produção agrícola de 4,9 milhões de toneladas, a menor desde 2008-2009, criou um déficit alimentar de 1,36 milhão de toneladas no ano comercial de 2018/2019, segundo o relatório.

As 10,1 milhões de pessoas que precisam de comida incluem 7,5 milhões dos 17,5 milhões de norte-coreanos que dependem de rações do governo e 2,6 milhões de agricultores coletivos.

“As perspectivas para as primeiras colheitas de trigo e cevada de 2019 são preocupantes, e comunidades correm risco quando a temporada modesta começar em junho. Os efeitos dos choques climáticos repetidos são agravados pela escassez de combustível, fertilizante e peças de reposição cruciais para o cultivo”, explicou Verhoosel.

O PMA planeja fazer outra avaliação durante julho e agosto para entender a dimensão total da crise.

Por Tom Miles

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