June 21, 2019 / 8:57 PM / 4 months ago

Efeito Fed derruba dólar a mínima em 3 meses ante real; queda na semana é de quase 2%

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar caiu nesta sexta-feira ao menor nível em três meses contra o real, em dia de fraqueza global para a moeda norte-americana, com o mercado ainda sob efeito da expectativa de melhora na liquidez mundial conforme os Estados Unidos caminham para cortar juros.

Funcionário conta cédulas de dólares dos Estados Unidos em uma casa de câmbio no Cairo, Egito. 20/3/2019. REUTERS/Mohamed Abd El Ghany

O dólar à vista fechou em queda de 0,68%, a 3,8239 reais na venda. É o menor patamar para um encerramento desde 21 de março passado (3,8001 reais).

No acumulado da semana, a cotação recuou 1,93%. É a quarta queda semanal do dólar nas últimas cinco semanas.

Na B3, o dólar futuro de maior negociação cedia 0,40% nesta sexta-feira, a 3,8260 reais.

Mesmo numa sessão espremida entre o feriado de Corpus Christi e o fim de semana, o volume de negócios no mercado futuro se manteve em torno da média, com cerca de 300 mil contratos de dólar futuro sendo negociados para o primeiro vencimento.

O Federal Reserve sinalizou nesta semana prontidão para reduzir o juro básico nos EUA, como forma de proteger a economia de impactos negativos decorrentes da guerra comercial travada entre Washington e Pequim.

Juros mais baixos nos EUA melhoram a relação risco/retorno para aplicações em ativos de mercados de maior risco, como os emergentes, o que pode estimular entrada de capital para o Brasil, por exemplo. Com isso, há aumento da oferta de dólar, o que tende a reduzir o preço da moeda.

“Devido à posição já vendida em real e a potencial fraqueza adicional do dólar no mundo depois da reunião do Fed, passamos a ficar otimistas com o real”, disseram estrategistas do Morgan Stanley em nota.

O Morgan projeta dólar de 3,80 reais ao fim de setembro e de 3,75 reais no término de dezembro.

Uma das medidas da atratividade do dólar no mundo, o juro real norte-americano caiu 21 pontos-base nesta semana, para 26 pontos-base, enquanto o ouro subiu ao maior patamar desde 2013. “É um claro sinal de que a era de dólar forte (no mundo) acabou”, concluíram os profissionais do Morgan.

Mas o J.P. Morgan não compartilha do otimismo. Segundo o banco, persistentes incertezas políticas podem atrasar a agenda de reformas no Brasil. “Além disso, riscos geopolíticos podem manter o real sob pressão no médio prazo, e não projetamos a apreciação prevista por analistas na pesquisa Focus”, completou o J.P. Morgan.

A mediana das expectativas do mercado para o dólar é de 3,80 reais ao fim de 2019 e 2020, segundo a sondagem Focus, do Banco Central.

Por José de Castro

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