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XP melhora projeção para economia do Brasil e passa a ver contração de 4,8% em 2020

SÃO PAULO (Reuters) - A XP Investimentos reduziu sua estimativa para a contração da economia brasileira neste ano a 4,8%, de uma queda estimada antes de 6,0%, diante da percepção de um impacto menos acentuado da pandemia de coronavírus em praticamente todas as áreas de atividade.

Funcionários trabalham em fábrica de paineis de energia solar em Campinas 13/02/2020 REUTERS/Amanda Perobelli

Relatório divulgado nesta sexta-feira mostrou ainda que a perspectiva de recuperação em 2021 melhorou a 3,0%, de 2,5% antes.

“Dados da indústria e varejo vêm apresentando resultados melhores que a expectativa de mercado e isso arrefece expectativas mais negativas para o resto do ano”, explicou a XP.

“As expectativas sobre a perda de PIB deste ano são menos negativas do que eram alguns meses atrás, e a recuperação, um pouco mais forte”, completou.

Entre os fatores que contribuíram para a revisão está uma queda esperada no segundo trimestre menor que a expectativa inicial, de 8% sobre os três primeiros meses em vez do recuo projetado antes de 13%.

Os estímulos fiscais e monetários --a taxa básica de juros Selic foi reduzida esta semana a 2%-- para famílias e empresas também ajudaram a mitigar a recessão e, de acordo com a XP, a melhora também ocorre do fato de os efeitos da pandemia atuarem de forma heterogênea nos setores.

“Diante do cenário em que os riscos sanitários se dissipem e a confiança dos agentes gradualmente retorne, a política monetária com a Selic em 2,00% ao ano e em terreno estimulativo será capaz de contribuir positivamente para a atividade”, destacou a XP, avaliando que parece pouco provável que haja novamente um lockdown ou medidas de distanciamento social mais restritivas nos próximos meses.

A XP calcula que a agropecuária vai praticamente passar incólume pela pandemia do novo coronavírus e deverá crescer 2,6% em 2020 e 2,8% em 2021.

Mas para Indústria e Serviços a XP projeta contrações respectivamente de 5% e 5,2%. Porém destaca que ambos têm condições promissoras de recuperação já a partir do fim de 2020, projetando crescimento de 5,9% da indústria e de 2,2% de serviços em 2021.

Outro fator que colabora para a retomada no Brasil é a demanda agregada, pontuou a XP, já que as medidas de sustentação do emprego formal no país se mostraram bem-sucedidas.

“Os programas do governo de sustentação e preservação de empregos formais têm se mostrado bem-sucedidos. Pelo lado da força de trabalho informal, o programa de auxílio emergencial ...também contribui para uma elevação na massa de renda de uma população com propensão maior a consumir”, disse a XP.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, avaliou nesta semana que as indicações são de que o Brasil está se recuperando numa trajetória semelhante ao que chamou de “V da Nike”, no formato de uma asa estilizada, o que apontaria para uma recuperação da economia mais lenta do que a representada pela letra V, que indica uma retomada célere, no mesmo ritmo da forte queda anterior.

O governo prevê retração do PIB neste ano de 4,7% mas a pesquisa Focus, realizada pelo Banco Central, embora venha mostrando melhora das estimativas para a economia, mostra que a expectativa do mercado é de uma contração de 5,6% em 2020, crescendo 3,50% em 2021.

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