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Dólar fecha em alta de mais de 1% e renova máxima em 3 semanas com exterior

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar emendou a terceira alta consecutiva nesta terça-feira, quando mais uma vez flertou com a resistência de 5,5000 reais, com o mercado abalado por alertas sobre riscos à economia dos Estados Unidos em meio a persistentes efeitos da pandemia.

10/09/2015. REUTERS/Ricardo Moraes

A ausência de notícias melhores no plano doméstico abriu caminho para o dólar seguir o exterior e fechar em alta de mais de 1%.

No mercado à vista, a cotação avançou 1,26%, a 5,4682 reais na venda, nova máxima desde 31 de agosto (5,4807 reais).

O fortalecimento do dólar ocorreu na parte da tarde, quando, por volta de 14h, a divisa bateu a máxima da sessão (de 5,4975 reais, alta de 1,81%). Na mínima, atingida ainda pela manhã, caiu a 5,3839 reais (-0,30%).

A tomada de fôlego do ativo coincidiu com o início da fala do chair do Federal Reserve, Jerome Powell, em audiência em comitê da Câmara dos Deputados dos EUA. Powell voltou a adotar um tom geral mais sombrio sobre as perspectivas econômicas e disse que “o caminho à frente continua sendo altamente incerto” e mais uma vez citou a importância de aprovação de novo estímulo fiscal.

Também nesta terça, o presidente do Federal Reserve de Chicago, Charles Evans, disse que a economia dos EUA corre risco de enfrentar uma recuperação mais longa e lenta, se não outra recessão total, caso o Congresso não aprove um pacote fiscal, citando ainda chances de alta de juros mesmo que a inflação não alcance 2%.

E o presidente do Federal Reserve de Richmond, Tom Barkin, afirmou que mercado de trabalho pode não se recuperar totalmente até que haja uma vacina ou outro tratamento que ajude os norte-americanos a se sentir seguros.

O dólar saltava 0,4% ante uma cesta de moedas, indo às máximas em quase dois meses. Moedas emergentes lideravam as perdas globais ante o dólar, com destaque negativo para peso mexicano (-1,5%), peso colombiano (-1%) e real (-1,25%), todas da América Latina --região do mundo mais atingida pela pandemia de Covid-19.

Veja gráfico do dólar/real e do índice do dólar frente a uma cesta de moedas:

Fernando Bergallo, CEO da FB Capital, afirmou ainda que o discurso do presidente norte-americano, Donald Trump, na Assembleia Geral da ONU --com tom ainda beligerante em relação à China-- acabou elevando o desconforto do mercado, uma vez que mostra que a relação entre as duas maiores potências do mundo segue instável.

“E aqui seguimos sem notícias boas, ainda com a sombra da possibilidade de furo do teto de gastos. Mesmo sem atualização negativa (no noticiário), o mix todo de sinais ainda é ruim”, afirmou.

Em entrevista à Reuters, o secretário do Tesouro Nacional, Bruno Funchal, disse que o Brasil não conta com espaço para errar na gestão das contas públicas no pós-pandemia. A declaração vem em meio a dias de intensa pressão no mercado de renda fixa por apreensão sobre a trajetória da dívida e, defendem alguns, também o patamar da Selic.

Na ata da última reunião de política monetária do Banco Central, divulgada mais cedo, o Copom indicou que as condições para sua sinalização de que a taxa Selic não deve subir seguem de pé. Na semana passada, o colegiado manteve o juro básico na mínima recorde de 2% ao ano.

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