December 23, 2008 / 10:10 AM / 11 years ago

Presidente morre e soldados tentam dar golpe na Guiné

Por Saliou Samb

Foto de arquivo do presidente da Guiné, Lansana Conte, que morreu na noite de segunda-feira. Ele tinha diabetes e fumava. Acredita-se que tinha 74 anos. Horas depois do anúncio de sua morte, na terça-feira, militares invadiram a sede da rádio estatal e obrigaram os funcionários a transmitir uma mensagem dizendo que a Constituição e o governo estavam suspensos, o que indica que um golpe está por vir. REUTERS/Viktor Korotayev/Files (GUINEA)

CONACRI (Reuters) - Soldados amotinados da Guiné deram início a uma tentativa de golpe de Estado nesta terça-feira, horas depois de anunciada a morte do presidente Lansana Conté, que estava no poder havia quase 25 anos, disse um alto funcionário. Localizada no oeste da África, a Guiné exporta bauxita.

“Há uma tentativa de golpe de Estado”, afirmou ao canal francês TV France 24 o presidente da Assembléia Nacional, Aboubacar Somparé, que deveria assumir interinamente a chefia de Estado, segundo a Constituição.

“Não acho que todo o Exército esteja por trás dos amotinados... É um grupo”, acrescentou ele, falando de sua casa na capital, Conacri.

A tentativa de golpe foi desencadeada algumas horas depois que líderes do governo disseram que Conté, que teria 74 anos, havia morrido de uma enfermidade depois de quase 25 anos na direção do país, maior exportador mundial de bauxita, minério do qual se obtém alumínio.

Somparé afirmou que estão ocorrendo negociações entre as autoridades leais à Constituição e os funcionários e os soldados que tentam dar o golpe de Estado, os quais haviam anunciado antes, em uma transmissão radiofônica, a suspensão da Constituição e do governo.

O presidente da Assembléia Nacional afirmou acreditar que a maioria dos militares seja “legalista”.

A França, antigo poder colonial no país, informou que se oporá a qualquer golpe na Guiné. “Não ficaremos satisfeitos com uma situação que não respeite a ordem constitucional”, disse o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Eric Chevallier, em uma coletiva de imprensa.

“Parece que as autoridades legítimas estão atualmente com o controle da situação no país”, disse Chevallier.

Soldados fortemente armados protegiam a estratégica ponte na estrada de acesso ao centro de Conacri e também patrulhavam as ruas em caminhonetes. Mas a cidade estava calma.

Na transmissão radiofônica em que anunciou a suspensão da Constituição, um dos participantes do golpe, capitão Moussa Davis Camara, disse que um Conselho Nacional para a Democracia e o Desenvolvimento estava assumindo o poder.

Para justificar a dissolução do governo, o anúncio referiu-se à corrupção generalizada, impunidade e anarquia e uma “situação econômica catastrófica”. “Os membros do atual governo são em grande parte responsáveis por esta crise econômica e social sem precedentes”, afirmou.

A morte de Conté, general diabético e que fumava muito, deixou um vazio de poder no país, onde empresas do setor de alumínio, como a Alcoa, Rio Tinto, Alcan e a russa Rusal mantêm grandes operações.

A maioria da população da Guiné é pobre e o país passou nos últimos anos por vários distúrbios antigovernamentais, greves e sangrentos motins militares, agravados pela elevação dos preços dos alimentos e do combustível.

Reportagem adicional de Francois Murphy em Paris e Humeyra Pamuk em Londres

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