January 23, 2009 / 12:34 AM / 11 years ago

Obama manda fechar Guantánamo e nomeia enviados

Por Matt Spetalnick

O presidente Barack Obama ordenou nesta quinta-feira o fechamento da prisão de Guantánamo e deve começar a nomear enviados para pontos críticos do mundo, como Oriente Médio e Irã, na tentativa de recuperar rapidamente a imagem manchada dos Estados Unidos no exterior. REUTERS/Larry Downing

WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos EUA, Barack Obama, ordenou na quinta-feira a desativação da prisão militar de Guantánamo e nomeou veteranos mediadores de conflitos como enviados especiais para o Oriente Médio e o Afeganistão, suas primeiras medidas para restaurar a imagem externa do país.

Numa primeira semana cheia de atividades voltadas para reverter algumas políticas do antecessor George W. Bush, Obama estabeleceu o prazo de um ano para a desativação de Guantánamo e ainda proibiu o tratamento violento aos suspeitos de terrorismo detidos lá.

A prisão na Baía de Guantánamo, em Cuba — onde prisioneiros estão detidos há anos sem acusação formal, alguns submetidos a interrogatórios que grupos de defesa dos direitos humanos dizem ser equivalentes à tortura — prejudicou a reputação moral dos Estados Unidos pelo mundo.

“O mundo precisa entender que a América estará impávida na defesa da sua segurança e incansável na sua busca pelos que realizam o terrorismo ou ameaçam os Estados Unidos”, disse Obama após assinar ordens executivas

No entanto, salientou que deseja transmitir “um sinal inequívoco de que nossas ações em defesa da liberdade serão tão justas quanto a nossa causa”.

Enquanto trabalha nos bastidores para preparar medidas econômicas, Obama usa suas primeiras aparições públicas após a posse para destacar questões de política externa e segurança nacional.

“Não podemos mais nos dar ao luxo de ficar à deriva e não podemos mais nos dar ao luxo da demora”, disse Obama ao visitar o Departamento de Estado, onde participou do anúncio dos novos enviados.

O ex-senador George Mitchell, responsável por mediar o conflito entre católicos e protestantes na Irlanda do Norte, será o encarregado de tentar retomar o complicado processo de paz entre palestinos e israelenses, algo em que o antecessor de Obama, George W. Bush, só se empenhou em seu último ano de mandato.

Obama aproveitou para prometer “buscar ativa e agressivamente uma paz duradoura entre Israel e os palestinos, assim como entre Israel e seus vizinhos árabes”.

Ressaltou ainda seu empenho em manter a trégua na Faixa de Gaza.

Para a questão do Afeganistão e do vizinho Paquistão, Obama nomeou o diplomata Richard Holbrooke, ex-embaixador junto à ONU, mentor do acordo que encerrou a guerra da Bósnia na década de 1990.

Obama também determinou uma completa revisão da estratégia dos EUA no Afeganistão, para onde prometeu enviar reforços militares.

Osama bin Laden e outros dirigentes da Al Qaeda supostamente vivem escondidos na montanhosa fronteira entre Paquistão e Afeganistão.

OUTROS DESAFIOS

Depois da sua histórica posse na terça-feira, Obama já confronta os desafios diplomáticos legados por Bush e muito comentados por ele durante a campanha eleitoral que o levou à Casa Branca.

O novo presidente promete um maior envolvimento com a comunidade internacional, depois do unilateralismo do governo Bush, e uma maior atenção à guerra contra o terrorismo no Afeganistão, em detrimento da impopular guerra do Iraque, que ele promete encerrar até meados de 2010.

Em seu pronunciamento no Departamento de Estado, Obama não citou o inimigo Irã, mas pareceu se referir à República Islâmica quando disse: “Precisamos deixar claro a todos os países na região que o apoio externo a organizações terroristas deve parar”.

Desde a campanha, Obama promete negociar diretamente com o Irã, ao contrário do governo Bush, que se empenhou para isolar o país devido ao seu programa nuclear e ao apoio a grupos militantes islâmicos no exterior.

A desativação de Guantánamo também era uma promessa de campanha. Essa prisão militar encravada em Cuba, criada no final de 2001 pelo governo Bush para abrigar presos da “guerra ao terrorismo”, atraía constantes críticas das entidades de direitos humanos, afetando duramente a reputação dos EUA no mundo.

A decisão de fechar a prisão é o primeiro passo em um longo e complicado processo para decidir o destino dos 250 presos restantes, muitos deles mantidos ali sem acesso ao processo penal habitual dos EUA.

Os EUA querem julgar cerca de 80 dos presos por acusações de terrorismo. Outros 50 já foram inocentados, mas permanecem detidos porque podem ser torturados ou perseguidos em seus países de origem.

Um outro decreto presidencial exige que a CIA feche as criticadas prisões secretas no exterior, e proíbe a criação desse tipo de instalação no futuro.

Na frente doméstica, com os mercados voláteis, Obama realizou a sua segunda reunião diária com a equipe econômica para traçar um rumo destinado a resgatar o país da pior crise financeira em várias décadas.

Novos dados oficiais mostraram que o número de candidatos a benefícios do desemprego aumentou na semana passada, e que a construção civil despencou para recordes negativos em dezembro.

Reportagem adicional de Caren Bohan, Jeff Mason, Ross Colvin, David Alexander e Alister Bull

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