March 16, 2009 / 1:31 PM / in 11 years

Jornalista leva esquerda ao poder em El Salvador

Por Anahí Rama e Alberto Barrera

O jornalista Mauricio Funes foi eleito no domingo presidente de El Salvador, segundo resultados divulgados na segunda-feira. Após duas décadas de governos de direita, a ex-guerrilha FMLN chega pela primeira vez ao poder. REUTERS/Daniel Leclair (EL SALVADOR)

SAN SALVADOR (Reuters) - O jornalista Mauricio Funes foi eleito no domingo presidente de El Salvador, segundo resultados divulgados na segunda-feira. Após duas décadas de governos de direita, a ex-guerrilha FMLN chega pela primeira vez ao poder.

Funes, repórter de televisão que nunca participou da luta armada, obteve 51,27 por cento dos votos, segundo o tribunal eleitoral salvadorenho, após apuração de 90,68 por cento das urnas. A Justiça Eleitoral disse que não há mais como o resultado ser revertido.

O candidato do partido direitista Arena (Aliança Renovadora Nacional), o ex-chefe de polícia Rodrigo Ávila, ficou com 48,73 por cento dos votos e reconheceu a derrota. A Arena governa o pequeno país centro-americano há duas décadas.

A eleição de domingo foi uma repetição pacífica da guerra civil (1980-92), na qual os rebeldes da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN) e setores vinculados à Arena travaram um conflito que deixou cerca de 75 mil mortos.

Funes, que só se filiou à FMLN ao ser indicado candidato, prometeu, ao se declarar vencedor, que governará pela reconciliação e a unidade nacional. Ele afirma ser um esquerdista moderado, mais identificado com o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva do que com o venezuelano Hugo Chávez.

Ao anunciar sua vitória, Funes fez uma menção ao arcebispo Oscar Romero, que se tornou um símbolo da violência salvadorenha ao ser assassinado por esquadrões da morte organizados pelo fundador da Arena, Robert D’Abuisson.

“Firmamos um novo acordo de paz, de reconciliação do país consigo mesmo”, disse Funes, aludindo aos primeiros acordos que acabaram com a guerra civil.

“O respaldo que obteve minha candidatura, a chapa presidencial e meu partido, o FMLN, demonstrou ao mundo inteiro que El Salvador está preparado para a alternância governamental”, acrescentou.

Nas ruas de San Salvador, milhares de militantes de esquerda festejaram o resultado com gritos e bandeiras, ocupando várias quadras em torno da estátua do Salvador do Mundo, símbolo da cidade.

Agora Funes, de 49 anos, encarna as esperanças de muitos salvadorenhos quanto à redução da pobreza, que afeta mais da metade do país. Alguns setores, porém, receiam que ele promova uma guinada à esquerda, no estilo adotado por Chávez ou por Daniel Ortega na vizinha Nicarágua.

Em seus inflamados programas eleitorais, Funes criticava a Arena, denunciava casos de corrupção e deitava elogios a Lula. Prometeu respeitar a propriedade privada e manter boas relações com os EUA, que no passado financiaram os grupos armados de direita no país.

El Salvador, único país da América Central sem acesso ao mar do Caribe, vive das exportações de café, açúcar e tecidos, e também das remessas enviadas por cerca de 2,3 milhões de emigrantes que vivem nos EUA, mas que agora se veem muito afetados pela crise econômica norte-americana.

Reportagem adicional de Raúl Gutiérrez, Nelson Rentería e Iván Castro

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below