June 1, 2009 / 12:04 PM / 11 years ago

Voo Rio-Paris da Air France some no Atlântico com 228 a bordo

Por Estelle Shirbon e Pedro Fonseca

Foto de arquivo de um Airbus A330-200 semelhante ao avião da Air France que desapareceu ao deixar o Rio de Janeiro. 01/06/2009. REUTERS/Divulgação/Air France

PARIS/RIO DE JANEIRO (Reuters) - Um avião da Air France que fazia o trajeto Rio-Paris desapareceu sobre o Atlântico com 228 pessoas a bordo, a maioria brasileiros e franceses, depois de sofrer uma forte turbulência, afirmaram nesta segunda-feira a empresa aérea e o governo francês.

“É um acidente trágico. As chances de serem encontrados sobreviventes são muito pequenas”, disse o presidente francês, Nicolas Sarkozy, na saída de uma visita ao centro de crise instalado no aeroporto Charles de Gaulle, em Paris.

Brasileiros e franceses eram a maioria entre os 216 passageiros, entre eles sete crianças e um bebê, disse a Air France. Mas também havia 26 alemãs e pessoas de várias outras nacionalidades, incluindo chinses, italianos e suíços. De acordo com a empresa, são 61 franceses e 58 brasileiros.

A Força Aérea Brasileira (FAB) informou que o Airbus A 330-200 sumiu no domingo quando sobrevoava o oceano Atlântico e está sendo procurado por cinco aviões, dois helicópteros e três embarcações militares que iniciaram as buscas a partir de Natal e da ilha de Fernando de Noronha. Por enquanto, não houve qualquer tentativa de contato pelos canais de emergência.

“Até o momento, não há nenhuma captação da transmissão do sinal de equipamento de emergência (ELT) e nenhuma aeronave sobrevoando a rota recebeu pedido de socorro do voo 447 por meio da frequencia internacional de emergência”, afirmou a FAB em comunicado.

De acordo com a FAB, “as buscas têm como ponto central o momento em que o voo AF 447 enviou uma mensagem automática sobre problemas técnicos” quatro horas após decolar. A Air France registrou uma mensagem automática da aeronave às 23h14 de domingo (horário de Brasília) informando um curto-circuito após ter enfrentado forte turbulência.

O último contato do avião por rádio com as autoridades brasileiras aconteceu às 22h33, a 565 quilômetros de Natal.

Um porta-voz da companhia disse que vários mecanismos do avião tiveram problemas. A empresa ofereceu condolências pelo ocorrido.

“Provavelmente é uma combinação de circunstâncias que pode ter levado a um acidente”, disse ele, acrescentando que o avião pode ter sido atingido por um raio.

Especialistas em aviação disseram que raios atingirem aviões é normal e não seria o suficiente para causar um acidente.

A França informou que destacou navios e que um avião de sua Força Aérea decolou do oeste da África para ajudar nas buscas. Sarkozy disse que a Espanha estava ajudando na missão e que seu governo havia pedido ajuda aos EUA para encontrar o avião através de satélites.

Se não forem encontrados sobreviventes, esse será o acidente com o maior número de mortos com um avião da Air France nos 75 anos da companhia.

BRASILEIROS

O voo AF 447 partiu do Aeroporto Internacional Tom Jobim às 19h de domingo, e deveria pousar no Charles de Gaulle (Paris) às 11h15 de segunda-feira (6h15 em Brasília).

O avião levava 216 passageiros — 126 homens, 82 mulheres 7 crianças e um bebê — e 12 tripulantes. A Air France disse que os pilotos tinham grande experiência.

Um representante da companhia aérea no Rio afirmou que 80 brasileiros estavam a bordo do avião, no entanto a empresa informou posteriormente em Paris que o número correto de brasileiros no voo era 58.

A Agência Nacional de Avião Civil (Anac) afirmou, no entanto, que estavam a bordo 51 passageiros e um tripulante de nacionalidade brasileira. Entre os brasileiros, havia alguns com dupla nacionalidade, segundo a Anac.

A última localização do avião é desconhecida. Às 22h48, quando a aeronave saiu da cobertura radar do Cindacta 3, as informações indicavam que o avião voava normalmente a 35.000 pés (11 quilômetros) de altitude e a uma velocidade de 840 km/h, segundo a FAB.

“Já tinha passado por (Fernando de) Noronha às 22h33. Uma hora depois o avião teria que fazer contato por rádio novamente e nesse momento não fez esse contato”, disse a assessoria da Força Aérea Brasileira (FAB).

“Em função disso entramos em contato com a Ilha do Sal (Cabo Verde). A aeronave também não fez nenhum tipo de contato com eles e nem apareceu no radar”, acrescentou.

O controle do tráfego aéreo em Dacar disse que o voo AF 447 não chegou a aparecer nos radares da África.

Em sua rota a partir do Nordeste do Brasil, o avião teria de passar por uma área de instabilidade conhecida como Zona de Convergência Intertropical.

O ministro francês Jean-Louis Borloo descartou a hipótese de sequestro aéreo. “É uma horrível tragédia”, disse Borloo à rádio France Info.

PARENTES

A lista de passageiros ainda não foi divulgada. A Air France disse que parentes de ocupantes do voo estão sendo levados para uma área especial dos aeroportos.

No Rio, familiares de passageiros e tripulantes do voo chegavam desesperados ao aeroporto no início da manhã atrás de informação.

“Eu combinei com ela (minha filha) de ir acompanhá-la hoje, mas... tive dificuldades para chegar. Antes de embarcar, ela me ligou cobrando a minha presença. Eu só tive tempo de dizer a ela que era a melhor filha do mundo”, disse a jornalistas Vast Ester Van Sluijs, mãe de uma funcionária da Petrobras que estaria no voo.

Um homem que identificou-se apenas como Carlos disse que seu pai estava no voo. “Estou desesperado, não sei o que fazer, acordei hoje cedo com a informação de que havia um problema com o voo do meu pai. É muito difícil”.

O último grande incidente envolvendo um avião da Air France ocorreu em julho de 2000, quando um supersônico Concorde caiu sobre prédios logo após decolar de Paris com destino a Nova York, matando seus 109 ocupantes e 4 pessoas no solo.

Em agosto de 2005, um Airbus da Air France pegou fogo depois de sair da pista do aeroporto de Toronto (Canadá), num dia de tempestade. Não houve mortos.

O Brasil teve dois grandes acidentes aéreos em 2006 e 2007, o que gerou preocupações com a segurança do tráfego aéreo no país.

Em julho de 2007, todos os 187 ocupantes e 12 pessoas em terra morreram quando um Airbus A-320 da TAM avançou além da pista do aeroporto paulistano de Congonhas, batendo em um prédio vizinho.

Em setembro de 2006, um avião da Gol caiu na Amazônia após ser atingido em pleno voo por um jato particular Legacy. Todos os 154 ocupantes do avião maior morreram.

Reportagem adicional de Rodrigo Viga Gaier no Rio de Janeiro; Fernando Exman em Brasília; e Jean-Baptiste Vey, Gerard Bon, Astrid Wendlandt e Tim Hepher em Paris

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