24 de Junho de 2009 / às 17:27 / 8 anos atrás

Bachelet critica Brasil por sugerir não viajar ao Chile por H1N1

WASHINGTON (Reuters) - A presidente chilena, Michelle Bachelet, criticou na quarta-feira o governo brasileiro por aconselhar crianças, idosos e algumas pessoas com problemas de saúde a não viajar ao Chile e à Argentina devido à gripe H1N1.

<p>Presidente dos EUA, Barack Obama, e a presidente do Chile, Michelle Bachelet, na Casa Branca, em Washington. 23/06/2009 REUTERS/Kevin Lamarque</p>

Bachelet, em discurso na Organização Pan-americana da Saúde (Opas) em Washington, criticou as declarações do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, que na véspera recomendou que idosos, crianças com até 2 anos de idade e pessoas com baixa imunidade adiassem viagens ao Chile e à Argentina.

“Nos parece que esse tipo de respostas, entendidas desde o susto, desde o medo, não são as respostas que os que trabalhamos na saúde entendemos como as necessárias para enfrentar uma epidemia dessa natureza”, disse Bachelet, ex-ministra da Saúde, segundo a mídia chilena.

A Argentina e o Chile são os países da América do Sul com mais casos confirmados da nova gripe.

Na Argentina, até a noite de terça-feira, haviam sido registradas 17 mortes e 1.294 casos confirmados desde que a doença começou a se disseminar no país. No Chile, o número de mortes chegou a 7 e havia 5.186 casos.

Segundo o ministro, a recomendação foi definida com base em critérios epidemiológicos, uma vez que há grande número de casos da nova gripe no Brasil de pessoas que voltaram de viagem a esses dois países.

Temporão ressaltou que o Ministério da Saúde não determinou a proibição de viagens para países afetados pela gripe H1N1. Segundo ele, deve haver “prudência e bom senso nesse momento”, uma vez que as férias estão chegando, o que aumenta a circulação de turistas brasileiros em países com casos confirmados da doença.

“Essa é uma medida adicional e de prevenção”, disse o ministro na terça-feira. O Brasil não registrou nenhuma morte até o momento, e o número de casos confirmados chegou a 334, segundo último balanço.

Bachelet, pediatra com especialização em saúde pública, respondeu que para enfrentar esse tipo de situações “a única solução é a cooperação, trabalhar em conjunto e não fechar as portas ao movimento e à entrada das pessoas aos países”.

Redação de Santiago

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