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Gaddafi diz que não deixará o poder e morrerá "como mártir"

TRÍPOLI (Reuters) - Em um pronunciamento na TV, o líder líbio, Muammar Gaddafi, prometeu na terça-feira morrer na Líbia como um mártir, ao mesmo tempo em que as tropas rebeldes afirmaram que as regiões do leste do país se libertaram do governo numa revolta explosiva.

Líder da Líbia, Muammar Gaddafi, faz declaração na TV em rede nacional, de Trípoil. 22/02/2011 REUTERS/TV estatal líbia/Divulgação

“Eu não vou deixar esta terra, morrerei aqui como um mártir”, disse Gaddafi na televisão estatal, recusando-se a curvar aos pedidos feitos por seus próprios diplomatas, soldados e aos manifestantes das ruas que exigem o fim de seu governo de quatro décadas.

“Muammar Gaddafi é o líder da revolução. Não sou um presidente para renunciar... Este é o meu país. Muammar não é um presidente para deixar o cargo, Muammar é o líder da revolução até o final dos tempos.”

“Eu permanecerei aqui desafiador”, completou Gaddafi, falando do lado de fora de uma de suas residências, bastante danificada num bombardeio dos Estados Unidos de 1986 durante uma tentativa de assassiná-lo.

Diante do edifício havia um monumento de um punho gigante esmagando um caça norte-americano.

No pronunciamento, sinuoso como de hábito, Gaddafi pediu que seus partidários saíssem às ruas, dizendo que os manifestantes estavam condenados à pena de morte. Ele também prometeu uma reformulação vaga nas estruturas do governo.

Gaddafi disse ainda que os responsáveis pelos distúrbios são os jovens e chamou os manifestantes de “ratos e mercenários” que querem transformar a Líbia em um Estado islâmico. O líder afirmou que vai “limpar casa a casa da Líbia” se os manifestantes não se renderem.

Apesar das informações de testemunhas e entidades de defesa dos direitos humanos sobre a violência indiscriminada pelo país, Gaddafi disse que ainda não usou a força contra os manifestantes, mas que o fará se for necessário.

“Protestos pacíficos são uma coisa, mas rebelião armada é outra”, disse.

TANQUES E CAÇAS

Mais cedo, testemunhas que atravessaram a fronteira da Líbia com o Egito disseram que Gaddafi estava usando tanques, caças e mercenários no esforço de sufocar a rebelião que crescia cada vez mais.

Na cidade de Tobruk, no leste do país, um correspondente da Reuters no local afirmou que podiam ser ouvidas explosões esporádicas, no sinal mais recente de diminuição do poder de Gaddafi no país exportador de petróleo e gás.

“Todas as regiões do leste estão fora do controle de Gaddafi agora...O povo e o Exército estão juntos ali”, afirmou o ex-major do Exército Hany Saad Marjaa.

A Casa Branca expressou suas condolências pela “violência pavorosa” na Líbia e afirmou que a comunidade internacional deveria falar em uníssono sobre a crise.

A agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para os refugiados, por sua vez, pediu que os vizinhos da Líbia concedam refúgio aos que fogem da insurreição, deflagrada por décadas de repressão e pelas revoltas populares que derrubaram os líderes da Tunísia e do Egito.

No lado líbio da fronteira com o Egito, rebeldes anti-Gaddafi armados com porretes e fuzis Kalashnikov saudavam os visitantes. Um homem levava um retrato de Gaddafi de ponta cabeça com as palavras “o tirano carniceiro, assassino de líbios”, disse um correspondente da Reuters que entrou na Líbia pela fronteira.

Centenas de egípcios saíam pela direção oposta em tratores e caminhões, levando consigo as histórias de violência e banditismo cometidos pelo Estado.

Na cidade de Al Bayda, no leste do país, o morador Marai Al Mahry disse à Reuters por telefone que 26 pessoas, incluindo seu irmão Ahmed, foram mortos a tiros durante a noite por simpatizantes de Gaddafi.

“Eles atiram em você apenas por andar nas ruas”, disse ele, soluçando sem parar enquanto pedia ajuda.

Manifestantes foram atacados com tanques e aviões de guerra, afirmou ele.

“A única coisa que podemos fazer agora é não desistir, não voltar atrás. Morreremos de qualquer forma, gostemos disso ou não. Está claro que eles não ligam se vivermos ou não. Isso é genocídio”, disse Mahry, de 42 anos.

A Human Rights Watch afirmou que 62 pessoas morreram nos confrontos em Trípoli nos últimos dois dias, somando-se à conta anterior de 233 mortos. Grupos de oposição apontam para um número muito maior. A chefe dos direitos humanos da ONU, Navi Pillay, afirmou que a matança poderá ser considerada crime contra a humanidade e exigiu uma investigação internacional.

Reportagem de Tarek Amara, Christian Lowe, Marie-Louise Gumuchian, Souhail Karam; Brian Love, Daren Butler; Dina Zayed, Sarah Mikhail e Tom Perry no Cairo e um correspondente da Reuters na Líbia

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