1 de Fevereiro de 2012 / às 11:26 / em 6 anos

Fidel recebe Dilma em Cuba; presidente vai nesta 4a ao Haiti

Por Jeff Franks

(Reuters) - A presidente Dilma Rousseff foi recebida na terça-feira em Havana por Fidel Castro, herói revolucionário da sua juventude, e se reuniu com o irmão caçula dele, o presidente Raúl Castro, numa visita destinada a reforçar as relações econômicas do Brasil com a ilha comunista.

Dilma embarca nesta quarta-feira para o Haiti, onde tropas brasileiras comandam a missão de paz da ONU.

Na terça-feira ela esteve no porto de Mariel, perto da capital, onde uma construtora brasileira comanda uma enorme reforma, e criticou os Estados Unidos por causa da polêmica prisão militar de Guantánamo, encravada em Cuba.

O governo cubano divulgou poucos detalhes da visita e não autorizou cobertura pela imprensa internacional, mas a TV estatal disse que os dois governos assinaram acordos para a importação de alimentos brasileiros, o projeto de Mariel e os setores cubanos de biotecnologia e indústria farmacêutica.

“Podemos confirmar que houve uma reunião entre Dilma e Fidel (Castro)”, disseram fontes diplomáticas brasileiras, sem esclarecer o momento em que o encontro ocorreu nem quais assuntos foram tratados. A jornalistas, Dilma disse que iria visitar Fidel com “muito orgulho”.

Citando relatos da imprensa brasileira, o site governamental www.cubadebate.com disse que Dilma, após almoçar com Raúl, foi com uma “pequena delegação” encontrar o homem que governou Cuba por 49 anos.

Fidel, de 85 anos, renunciou à presidência há quatro anos, mas ocasionalmente ainda publica artigos de opinião na imprensa cubana e recebe líderes estrangeiros. Raúl, de 80 anos, o sucedeu no cargo.

A imprensa cubana disse que Dilma e Raúl falaram sobre “o excelente estado das suas relações bilaterais”, e depois visitaram juntos o porto de Mariel.

Ela afirmou que o Brasil está contribuindo com 640 milhões de dólares para o projeto, de um total de 900 milhões. A empreiteira Odebrecht comanda a obra.

O porto de Mariel ficou conhecido pelo episódio do êxodo de cubanos em 1980. Agora, está sendo transformado no principal porto comercial da ilha, e em centro do seu ainda incipiente setor de exploração petrolífera em alto-mar.

COMPROMISSO HISTÓRICO

Dilma anunciou também a concessão de um crédito de 400 milhões de dólares para que Cuba compre alimentos do Brasil e um outro de 200 milhões para um programa de incentivo agrícola.

A presidente afirmou que o Brasil tem um “compromisso histórico” de “ajudar o processo de desenvolvimento econômico” de Cuba, que há meio século enfrenta um embargo comercial dos EUA.

Cuba está no meio de um processo de modernização da sua precária economia de estilo soviético, atenuando o papel econômico do Estado e estimulando a iniciativa privada.

O Brasil é um dos maiores parceiros comerciais de Cuba, com um intercâmbio que alcançou 642 milhões de dólares no ano passado, e é também um dos principais investidores estrangeiros no país. As relações políticas e econômicas entre os dois países já haviam sido estreitadas durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Dilma chegou a Cuba na segunda-feira, em meio a polêmicas por causa da recente morte de um dissidente preso e da concessão de um visto para que a blogueira dissidente Yoani Sánchez visite o Brasil.

Dilma foi presa em 1970 por causa da sua atividade como guerrilheira. Torturada, só saiu da cadeia três anos depois.

Yoani e outros ativistas pediram para se reunir com Dilma, algo que a imprensa brasileira qualificou como improvável.

Na terça-feira, Dilma disse que discutiria questões de direitos humanos com dirigentes locais, mas que isso incluiria também a polêmica prisão de Guantánamo, onde os EUA mantêm suspeitos de terrorismo.

“Vamos começar falando dos direitos humanos dos Estados Unidos, com respeito a uma base aqui chamada Guantánamo”, disse ela.

Os EUA são acusados de cometer violações aos direitos dos presos por manter prisioneiros detidos indefinidamente na sua base militar no leste de Cuba. Muitos desses presos afirmam terem sido torturados na prisão, aberta em 2002 pelos EUA para receber suspeitos detidos como parte da sua “guerra ao terrorismo”.

Dilma não fez referência ao dissidente Wilman Villar, que segundo outros opositores do regime morreu por causa de uma greve de fome e de maus tratos sofridos na prisão. O governo cubano diz que ele era um preso comum, e negou que tenha feito greve de fome.

Quanto a Yoani, Dilma disse que o Brasil lhe concedeu um visto na semana passada, mas que cabe a Cuba decidir se ela pode viajar.

O governo cubano considera Yoani uma das suas principais adversárias, e a acusa de ser uma mercenária a soldo dos EUA. As autoridades já a impediram repetidamente de viajar ao exterior, onde seu blog tem muitos seguidores.

Yoani disse pelo Twitter que solicitou autorização de Cuba para viajar para o Brasil, e aguarda a resposta.

No Haiti, o Brasil também ajudou a financiar uma missão médica cubana que atua no país desde que foi devastado por um terremoto em 2010.

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