16 de Novembro de 2012 / às 12:32 / em 5 anos

Autoridades francesas ficam furiosas com provocação da Economist

Por Mark John

Ministro francês para Recuperação Industrial, Arnaud Montebourg, vai à coletiva de imprensa durante evento sobre indústria têxtil, em Tourcoing, França. Autoridades francesas rejeitaram furiosamente, nesta sexta-feira, uma acusação da revista semanal britânica The Economist que coloca a França como uma "bomba-relógio no coração da Europa" e um perigo para o euro. 15/11/2012 REUTESR/Pascal Rossignol

PARIS, 16 Nov (Reuters) - Autoridades francesas rejeitaram furiosamente, nesta sexta-feira, uma acusação da revista semanal britânica The Economist que coloca a França como uma “bomba-relógio no coração da Europa” e um perigo para o euro, e acusaram a publicação de sensacionalismo.

A capa da Economist mostra sete pães “baguete” unidos por uma fita com as três cores da bandeira francesa, com um pavio aceso saindo do centro.

O artigo principal levanta preocupações de que as reformas econômicas do presidente François Hollande não são suficientemente ambiciosas, advertindo que os mercados financeiros poderiam se voltar contra a França, e isso poderia prejudicar o futuro do euro.

“Honestamente, a The Economist nunca se distinguiu por seu senso de imparcialidade”, disse o ministro da Indústria, Arnaud Montebourg, à rádio Europe 1.

“É a Charlie Hebdo da cidade”, acrescentou, referindo-se a uma publicação satírica francesa que em setembro despertou críticas internacionais por publicar caricaturas retratando o profeta Maomé nu.

Além das dúvidas sobre o alcance dos esforços de reforma da França, muitos economistas e autoridades da UE estão céticos de que o governo socialista de Hollande possa bater sua meta de reduzir o déficit público para 3 por cento da produção em 2013, como prometido.

O fracasso em atingir essa meta pode levar os mercados financeiros a exigirem maiores rendimentos para seus títulos, que estão atualmente em torno de níveis baixos recordes de 2 por cento com a percepção de que a França é, junto com a Alemanha, um porto seguro na zona do euro.

O editor de Europa da Economist, John Peet, que escreveu a reportagem especial, defendeu a publicação contra acusações de ser injusta com relação à França.

Duas histórias de capa anteriores este ano acusaram a França de negar a realidade econômica e chamou Hollande de “bastante perigoso”, apoiando seu adversário na eleição presidencial, o conservador Nicolas Sarkozy, que acabou derrotado.

“O ponto desta capa e do artigo é incentivar a França”, disse Peet ao jornal 20 Minutes. “Outros países, incluindo a Grécia e Portugal, têm realizado muitas reformas. Este ainda não é o caso da França.”

O primeiro-ministro francês, Jean-Marc Ayrault, que na quinta-feira viajou a Berlim para explicar os esforços franceses para melhorar a competitividade internacional do país à chanceler Angela Merkel, também criticou a capa da revista.

“Vocês estão falando sobre um jornal que está recorrendo ao excesso para vender. Posso dizer que a França não está de forma alguma impressionada”, disse ele à TV francesa.

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below