28 de Novembro de 2012 / às 14:54 / 5 anos atrás

Relator da CPI do Cachoeira recua, mas pode ter parecer rejeitado

BRASÍLIA, 27 Nov (Reuters) - Após forte pressão, o relator da CPI do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT-MG), modificou nesta quarta-feira o relatório apresentado na semana passada e desistiu de pedir o indiciamento de jornalistas e a investigação do procurador-geral da República, e mesmo assim não há garantias de que o parecer será aprovado pela comissão.

Cunha foi pressionado pela cúpula petista e por aliados na comissão parlamentar a retirar essas partes do seu relatório porque havia indiciado jornalistas que sequer foram ouvidos pela CPI e pedido a investigação de Roberto Gurgel num gesto que foi interpretado como vingança do PT contra o procurador que apresentou a denúncia para o julgamento do mensalão.

Apesar de ceder às pressões, Cunha ainda não conseguiu garantir apoio dos aliados para aprovação de seu parecer. Na terça-feira, ele passou o dia em reuniões com membros da CPI tentando costurar um acordo sobre o texto para garantir a aprovação da peça.

“Garantias (de aprovação) nunca se tem”, disse ele aos jornalistas após a sessão da CPI nesta quarta.

Segundo ele, essas partes puderam ser retiradas do relatório porque não eram pontos centrais da investigação e porque podem viabilizar a aprovação do texto.

Apesar de não ter garantido apoio formal ao seu texto, o recuo do relator parece ter quebrado algumas resistências na comissão. O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), por exemplo, mudou de posição com as mudanças.

Na semana passada, quando o relatório foi apresentado, o pedetista disse que trabalharia para derrubar o texto na CPI e que ele era incorrigível. Nesta quarta, Teixeira disse que as modificações fizeram ele mudar de lado e, agora, quer a aprovação do parecer.

“O que aconteceu é que tiraram a cortina de fumaça que havia sobre o relatório com a retirada dos jornalistas e do procurador-geral. Agora, quem é contra o indiciamento do (Marconi) Perillo (governador de Goiás) e do (Fernando) Cavendish (dono da empreiteira Delta) terá que se manifestar publicamente”, argumentou.

CAVENDISH

Desde o início dos trabalhos da CPI, parlamentares dizem que há colegas dispostos a proteger Cavendish, mas não citam os nomes de deputados ou senadores que fariam essa defesa. O presidente da comissão, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), negou à Reuters nesta quarta que seu partido ou peemedebistas tenham lhe procurado com esse intento.

O PMDB teria interesse na retirada de Cavendish da lista de indiciados pela sua proximidade com o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, que é do PMDB.

Cunha disse que o PMDB só lhe pediu jornalistas não fossem indiciados pela CPI e para que não se pedisse investigação contra Gurgel no Conselho Nacional do Ministério Público (CNPM).

Já a defesa de Perillo será feita pelos deputados e senadores da bancada tucana na CPI, que têm usado a estratégia de desqualificar o relatório do petista acusando-o de manobrar partidariamente o documento.

“(O relator) está imputando a ele quase uma dezena de ilícitos, de condutas que ele tipifica de uma forma totalmente equivocada. É evidente que o Marconi Perillo foi fruto de uma orientação partidária”, argumentou aos jornalistas o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) ao final da sessão.

Os tucanos tentarão, segundo Sampaio, derrotar o relatório de Cunha na comissão e apresentarão um voto em separado em substituição ao parecer final.

A rejeição do relatório de Cunha também é planejada por um grupo de parlamentares que se autodenominam independentes e que também devem apresentar um relatório paralelo na próxima semana.

Caso o parecer de Cunha seja rejeitado e nenhum outro parecer paralelo seja aprovado, a CPI seria concluída sem um relatório final.

SEM MUDANÇAS

Nesta quarta, numa sessão tensa, o relator rejeitou um acordo que o obrigaria a modificar outras partes do texto se fosse derrotado pela maioria do plenário da comissão. Cunha só aceitou modificar esses dois pontos e ouvir sugestões sobre outras partes e decidir se aceita ou não fazer mudanças.

A decisão do petista gerou uma grande confusão na sessão e ele chegou a ser acusado de autoritarismo. “Agora o senhor virou ditador?”, questionou o deputado Vaz de Lima (PSDB-SP).

Apesar da avalanche de críticas, o presidente da CPI afirmou que o relator poderia adotar essa estratégia e não modificar outras partes que não concordasse. Com isso, mudanças pontuais no relatório só poderão ser feitas em acordo com Cunha. Ou seja, restará aos descontentes com partes do texto votar contra o parecer.

A CPI retomará seus trabalhos no dia 5 de dezembro, quando o relatório começará a ser discutido e os pareceres paralelos serão apresentados ao plenário da comissão.

O relatório pede o indiciamento de mais de 40 pessoas e pede que o Ministério Público a Receita Federal e a Polícia Federal aprofundem as investigações contra a construtora Delta.

A CPI também pede o indiciamento do pivô das investigações, o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, que foi solto na semana passada do presídio da Papuda em Brasília. As investigações da CPI apontaram que Cachoeira atuava como sócio oculto da Delta.

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