28 de Novembro de 2012 / às 21:50 / em 5 anos

BC mantém Selic em 7,25% e indica juro estável por longo período

BRASÍLIA, 28 Nov (Reuters) - O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a taxa básica de juros em 7,25 por cento nesta quarta-feira, encerrando o ciclo de afrouxamento monetário iniciado há mais de um ano, e indicou que a taxa ficará neste nível por um “período prolongado”.

O BC repetiu o comunicado da reunião anterior, reforçando a expectativa de agentes econômicos de que a Selic será mantida na atual mínima histórica no próximo ano.

“A estabilidade das condições monetárias por um período de tempo suficientemente prolongado é a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta, ainda que de forma não linear”, disse o Copom em comunicado.

A decisão unânime foi tomada levando em consideração “o balanço de riscos para a inflação, a recuperação da atividade doméstica e a complexidade que envolve o ambiente internacional”, informou o Copom.

Pesquisa da Reuters mostrou na semana passada que todos os 60 analistas consultados previam manutenção da taxa básica de juros neste patamar.

A manutenção da taxa básica de juros encerra o ciclo de afrouxamento monetário iniciado em agosto de 2011 e que ceifou 5,25 pontos percentuais da taxa em dez cortes seguidos. O último movimento foi em outubro, quando a Selic foi reduzida em 0,25 ponto, para o atual patamar, em uma decisão dividida entre os membros do Copom.

“A unanimidade também mostra que a diretoria do BC está bem convergente, sabe que o balanço de riscos para a inflação está mais apertado, na margem acima da meta para 2013, e que não há espaço para a queda dos juros”, afirmou o economista-chefe da Planner, Eduardo Velho, para quem o cenário externo vai ditar os ajustes eventuais na Selic.

Em outubro, quando divulgou a ata da reunião daquele mês, o Copom já havia deixado claro que o corte era o “último ajuste”.

OUTROS INSTRUMENTOS

O ciclo de redução da taxa de juros teve como objetivo estimular a cambaleante economia brasileira, afetada pela crise internacional. A queda na taxa para o patamar mínimo histórico foi favorecida também pela vontade política do governo, que alterou a remuneração da caderneta de poupança.

O BC muda agora o rumo de sua política monetária de olho na inflação que, apesar de recentemente mostrar sinais de arrefecimento, ainda deve ficar bem acima do centro da meta do governo --de 4,5 por cento pelo IPCA-- neste e no próximo ano.

Para parte do mercado, a Selic deverá ser mantida no patamar de 7,25 por cento ao ano até o fim de 2013. Isso porque, caso haja repique na inflação, o BC poderá usar outros instrumentos de política monetária para segurar os preços, assim como medidas macroprudenciais já usadas no passado.

“Repetir o comunicado é um instrumento importante, temos que ficar atentos porque reforça de forma clara o ‘suficientemente prolongado’... O governo pode usar outros instrumentos, como os compulsórios, para controlar a inflação no ano que vem” afirmou o economista-chefe da Gradual Investimentos, Andre Perfeito.

Para o economista-chefe do WestLB, Luciano Rostagno, contudo, o BC aguardará os efeitos dos últimos estímulos monetários e das medidas do governo na economia e, havendo uma melhora no mercado externo, terá que elevar a taxa de juros em agosto de 2013.

“A nossa expectativa é de que o cenário externo melhore gradualmente, e com isso a economia brasileira ganharia força também em 2013”, afirmou ele.

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está em 5,45 por cento em 12 meses até outubro e, para ficar abaixo do teto da meta para o ano, de 6,5 por cento, não poderá superar 2,03 por cento no acumulado de novembro e dezembro.

Apesar dos esforços do BC e do governo para reativar a economia, o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer apenas 1,6 por cento este ano, de acordo com estimativas do Banco Central.

Mas o governo têm afirmado que a atividade acelerou neste semestre e que, em 2013, o ritmo será mais intenso, apoiado em importantes fatores de sustentação da demanda, como emprego, renda e crédito.

Reportagem de Luciana Otoni e Tiago Pariz, em Brasília, e Silvio Cascione e Danielle Fonseca, em São Paulo

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