4 de Dezembro de 2012 / às 15:43 / em 5 anos

Cardozo e PF dizem que não havia motivo para grampear Rosemary

BRASÍLIA, 4 Dez (Reuters) - O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o superintendente da Polícia Federal em São Paulo, Roberto Troncon, disseram nesta terça-feira que não havia motivos para pedir a quebra do sigilo telefônico da ex-chefe de gabinete do escritório da Presidência da República em São Paulo Rosemary Noronha, no âmbito da operação Porto Seguro.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, fala ao Congresso para explicar recentes operações policiais em Brasília. 4/12/2012 REUTERS/Ueslei Marcelino

Cardozo e Troncon foram questionados por parlamentares da Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados, que indagaram se Rosemary não foi grampeada pela PF por conta de suas relações próximas com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Por que a senhora que ocupava esse cargo na Presidência da República não teve sua comunicação telefônica interceptada? Porque não havia justa causa. Porque não havia motivação possível para que a autoridade policial o apresentasse”, disse Troncon.

Cardozo disse que Rosemary não foi grampeada porque ela não estaria cometendo algum ato ilícito que só pudesse ser comprovado por meio de uma conversa telefônica.

“Não houve a quebra de todos os investigados, houve quebra daqueles que as atividades estavam em curso”, disse o ministro afirmando que foi essa explicação que recebeu da PF.

Ele ainda tentou minimizar o alcance do caso na Presidência da República.

“Essas pessoas que são utilizadas nas informações (pedidas pela quadrilha) não integram a cúpula (da organização), não posso afirmar que a acusação chegou à conclusão que há uma quadrilha no seio da Presidência da República, não é o resultado da investigação. Claro que no discurso político, é natural que as versões sejam colocadas”, disse Cardozo em resposta aos questionamentos dos parlamentares.

O ministro, porém, disse que não estava agindo em defesa de Rosemary e que ela “cometeu ilícitos graves”.

“(Ela é indiciada por) tráfico de influência..., falsidade ideológica e corrupção ativa. Mas ela não foi indiciada por formação de quadrilha pela Polícia Federal... Isso não a abona em nada”, disse o ministro.

Questionado se convidaria Weber para um cargo no governo federal, mesmo sabendo que ele enfrentava processos em outras áreas da administração pública antes da operação Porto Seguro, como fez o ministro da Advocacia-Geral da União, Luís Inácio Adams, o ministro da Justiça disse que se tivesse confiança na pessoa, sim.

“Ele escolheu alguém em quem confiou e lamentavelmente essa pessoa pode ter incorrido em faltas gravíssimas. Não podemos ser tão implacáveis assim... Quantas vezes nas nossas famílias acontecem coisas que não sabemos”, argumentou Cardozo.

A operação Porto Seguro cumpriu mandados de busca e apreensão em órgãos do governo federal e no escritório da Presidência da República em São Paulo e deteve três pessoas.

Também foram indiciadas 18 pessoas, entre elas Rosemary Noronha, e o advogado-geral adjunto da União, José Weber de Holanda Alves, acusados de envolvimento com um grupo que obteria pareceres técnicos fraudulentos que eram vendidos a empresas interessadas. Os dois foram exonerados dos seus cargos.

Outros órgãos que sofreram buscas foram o Ministério da Educação, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a Agência Nacional de Águas (ANA), a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.

Reportagem de Jeferson Ribeiro

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