4 de Dezembro de 2012 / às 17:43 / em 5 anos

Polícia enfrenta manifestantes e presidente deixa palácio no Egito

Por Yasmine Saleh e Marwa Awad

Manifestantes contra Mursi enfrentam a tropa de choque em frente ao palácio presidencial no Cairo, Egito. 4/12/2012 REUTERS/Amr Abdallah Dalsh

CAIRO, 4 Dez (Reuters) - A polícia egípcia enfrentou nesta terça-feira milhares de manifestantes em frente ao palácio presidencial do país, no Cairo, levando o presidente Mohamed Mursi a deixar o local, segundo duas fontes presidenciais.

A polícia disparou gás lacrimogêneo nos manifestantes, que se irritaram com as manobras de Mursi para realizar em 15 de dezembro um referendo sobre uma nova Constituição. Alguns ultrapassaram as fileiras de policiais que isolavam o palácio e protestaram junto ao muro externo.

Milhares de pessoas se aglomeravam perto dali para o que qualificaram de “último alerta” contra Mursi, que enfureceu seus adversários ao expedir no último dia 22 um decreto que ampliava seus próprios poderes. “O povo quer a derrubada do regime”, gritava a multidão.

“O presidente deixou o palácio”, disse à Reuters uma fonte presidencial que pediu anonimato. Uma fonte de segurança da presidência também disse que o presidente havia ido embora.

Mursi, um político de inclinação islâmica, provocou uma tempestade política no Egito na sua tentativa de impedir que o Judiciário, ainda repleto de juízes nomeados pelo deposto presidente Hosni Mubarak, inviabilizasse uma conturbada transição no país.

O Egito enfrenta a sua maior onda de protestos desde a rebelião popular que derrubou Mubarak, em janeiro de 2011.

Os manifestantes desta terça-feira se concentraram em mesquitas da zona norte do Cairo antes de seguirem na direção do palácio.

“Nossas marchas são contra a tirania e o decreto constitucional nulo, e não vamos recuar da nossa posição até que nossas exigências sejam atendidas”, disse Hussein Abdel Ghany, porta-voz de uma coalizão oposicionista formada por liberais, esquerdistas e outras facções.

Apesar dos novos protestos, houve adesão apenas limitada à convocação pela oposição de uma grande campanha popular de desobediência civil no mais populoso país árabe, onde muitos anseiam acima de tudo por estabilidade.

Algumas centenas de manifestantes haviam se reunido antes perto da casa de Mursi, na zona leste da capital, gritando palavras de ordem contra o seu discurso e contra a Irmandade Muçulmana, grupo político do qual Mursi saiu antes de vencer a eleição presidencial de junho. A polícia interditou a rua para impedir que os manifestantes se aproximassem da residência, segundo um funcionário de segurança.

Grupos de oposição acusam Mursi de se apropriar ditatorialmente de poderes para impor a nova Constituição, redigida por uma assembleia dominada por políticos islâmicos. A Constituição será promulgada se for aprovada no referendo da semana que vem.

Os principais jornais independentes do Egito não circularam nesta terça-feira em protesto contra a “ditadura” de Mursi. Os bancos dispensaram seus funcionários mais cedo.

Reportagem adicional de Tom Perry, Tamim Elyan e Edmund Blair

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