5 de Dezembro de 2012 / às 14:42 / em 5 anos

Dilma faz balanço e ainda espera efeito pleno de medidas econômicas

Por Hugo Bachega

Presidente Dilma Rousseff vai à cerimônia para comemorar entrega de 1 milhão de casas pelo programa “Minha Casa, Minha Vida”, no Palácio do Planalto. Dilma Rousseff afirmou que o Brasil ainda não sentiu o efeito completo das medidas anunciadas pelo governo para estimular a economia e que, para os objetivos do governo, o crescimento da indústria terá de ser muito mais forte. 4/12/2012 REUTERS/Ueslei Marcelino

BRASÍLIA, 5 Dez (Reuters) - Falando a uma plateia de empresários da indústria, o setor mais castigados pelos efeitos da crise internacional no Brasil, a presidente Dilma Rousseff fez uma espécie de balanço econômico informal de seus primeiros dois anos de governo e afirmou que o país ainda não sentiu completamente os efeitos das medidas de estímulo.

“Várias medidas que nós tomamos em 2012 ainda não têm seus efeitos completos apresentados. Nós temos certeza que elas irão se difundir pelo sistema econômico e vão sinalizar um novo estágio do nosso desenvolvimento”, disse Dilma, durante o Encontro Nacional da Indústria, em Brasília.

“Eu acredito que uma indústria forte é o nó estratégico para que o Brasil tenha de fato um desenvolvimento sustentável”, disse ela, que foi aplaudida diversas vezes pela plateia de empresários.

O governo tem agido em diversas frentes num esforço para melhorar a competitividade, incentivar o investimento e reativar a economia, que teve um crescimento bem abaixo do esperado no terceiro trimestre e caminha para uma expansão de 1,3 por cento em 2012, segundo um estimativa do mercado que deve ser revisada ainda mais para baixo.

A produção industrial respondeu em outubro, registrando crescimento pela primeira vez na comparação anual em 13 meses. Mas a expansão ficou abaixo do esperado na comparação com o mês anterior, levando economistas a colocar em dúvida se esses dados indicam uma tendência de alta sustentável do setor.

Dilma disse que o país vive um “período de transição”, citando a redução das taxas de juro neste ano --a Selic encerrará 2012 no menor nível histórico, a 7,25 por cento ao ano-- e a desvalorização do real, decorrente de medidas do governo, o que forma um “mix favorável” à redução do custo de capital do país.

“Nós chegamos a isso há poucos meses. Vivemos, portanto, um período de transição, no qual os investimentos no setor real da economia tenderão ser mais atrativos do que as demais oportunidades de investimento”, disse ela.

O governo também tem incentivado diversos setores produtivos, como automotivo, construção civil, têxtil e calçados, com isenções fiscais e desoneração da folha de pagamento. Críticos dessa política consideram as ações como paliativas e reclamam a falta de uma reforma tributária completa.

“Nós não optamos pelo caminho de reforma estrutural pela dificuldade demonstrada nos últimos anos, nos quais essa reforma (tributária) não foi possível ser realizada”, justificou a presidente.

Dilma tem usado diversas aparições nos últimos meses para ressaltar as medidas do governo de defesa da indústria e estímulo à economia, e o discurso aos industriais foi visto como “um dos mais importantes dos últimos meses”, segundo disse à Reuters uma fonte do governo, que pediu para não ser identificada.

“LAMENTO A INSENSIBILIDADE”

Industriais e potenciais investidores no país veem o complicado e oneroso sistema tributário e os gargalos logísticos brasileiros como empecilhos para a competitividade do produto nacional.

Para atacar os problemas de infraestrutura, o governo anunciou um pacote de concessões para rodovias e ferrovias, com investimentos de 133 bilhões de reais ao longo de 25 anos, e apresentará um plano semelhante para portos na quinta-feira.

Dilma disse que também serão divulgadas medidas para aeroportos regionais ainda este mês, e novas concessões para terminais maiores, nos quais investimentos não acompanharam o aumento da demanda nos últimos anos.

A presidente criticou ainda o revés que sofreu na tentativa de reduzir em 20 por cento as tarifas de energia elétrica para consumidores residenciais e industriais, diante da adesão parcial de empresas à renovação antecipada e condicionada de concessões do setor.

As estatais de energia dos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná --todos comandados pelo PSDB, principal partido de oposição ao governo federal-- não aderiram à prorrogação na geração.

A decisão de Cesp, Cemig e Copel fará com que o corte nas contas de luz seja de 16,7 por cento, em média, a partir de março do próximo ano, frustrando promessa de Dilma de redução de cerca de 20 por cento.

“Reduzir o preço da energia é uma decisão da qual o governo federal não recuará, apesar de lamentar profundamente a imensa falta de sensibilidade daqueles que não percebem a importância disso agora para garantir que o nosso país cresça de forma sustentável”, disse Dilma.

Dilma aproveitou, ainda, para defender o repasse dos recursos provenientes da exploração de petróleo da camada do pré-sal para ampliar os investimentos em educação, e disse que nenhum país do mundo tornou-se competitivo sem estar firmemente ancorado em ensino.

“Tudo o que colocarmos na educação é investimento para o momento presente e poupança para o futuro”, disse Dilma.

Ao vetar parcialmente o projeto de lei aprovado pelo Congresso sobre a divisão de royalties do petróleo, a presidente determinou em medida provisória que todos royalties de petróleo provenientes das novas concessões sejam destinados exclusivamente à educação.

Reportagem adicional de Brian Winter

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