6 de Dezembro de 2012 / às 13:02 / 5 anos atrás

BCE prevê 2013 desanimador após deixar juros inalterados

Por Eva Kuehnen

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, durante a coletiva de imprensa mensal do BCE, em Frankfurt. A economia da zona do euro deve contrair no próximo ano assim como em 2012, previu o Banco Central Europeu (BCE) nesta quinta-feira, revisando fortemente para baixo a sua projeção, depois que manteve a taxa de juros em uma mínima recorde de 0,75 por cento no bloco. 06/12/2012 REUTERS/Lisi Niesner

FRANKFURT, 6 Dez (Reuters) - A economia da zona do euro deve contrair no próximo ano assim como em 2012, previu o Banco Central Europeu (BCE) nesta quinta-feira, revisando fortemente para baixo a sua projeção, depois que manteve a taxa de juros em uma mínima recorde de 0,75 por cento no bloco.

As novas projeções do banco colocam o Produto Interno Bruto (PIB) em uma faixa entre queda de 0,9 por cento e um crescimento de apenas 0,3 por cento no próximo ano, sugerindo que uma contração é mais provável. O presidente do BCE, Mario Draghi, disse que riscos de deterioração prevaleceram.

Em setembro, o BCE havia previsto uma faixa significativamente maior, entre uma queda de 0,4 por cento e alta de 1,4 por cento, para a economia da região.

“Esperamos que a fraqueza econômica na zona do euro se estenda para o próximo ano”, disse Draghi a jornalistas após a reunião mensal de política monetária do banco central.

“Mais tarde em 2013, a atividade econômica deve gradualmente se recuperar, com a demanda global se fortalecendo e a nossa postura de política monetária acomodativa, além da significativa melhora dos mercado financeiros colaborando com a economia”, acrescentou.

A decisão do Conselho de deixar inalterada sua principal taxa de juros era esperada por economistas em uma pesquisa da Reuters, que também mostrou divisão nas opiniões sobre as chances de uma redução no início do próximo ano.

“O conselho continua a ver riscos de deterioração das previsões econômicas para a zona do euro”, disse Draghi. “Estes são principalmente relacionados às incertezas sobre a resolução da dívida soberana e às questões de governança na zona do euro.”

Um impasse político sobre o abismo fiscal nos Estados Unidos, o que poderia levar a aumentos de impostos e cortes no orçamento norte-americano se um acordo não for alcançado até o fim do ano, também poderia pesar sobre o sentimento por mais tempo, disse ele.

O nível de incerteza foi refletido na primeira estimativa do BCE para 2014, na qual projetou um crescimento entre 0,2 e 2,2 por cento. Draghi disse que as taxas não foram reduzidas por causa dos altos impostos indiretos e aumentos dos preços de energia em alguns países da zona do euro.

Ele também disse que autoridades discutiram a definição de uma taxa negativa em depósitos do BCE, em uma tentativa de incentivar os bancos a não acumular dinheiro na autoridade monetária, e sim emprestá-lo para a economia real.

À ESPERA DA ESPANHA

Embora os mercados financeiros tenham se acalmado desde que a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI) apresentaram mais medidas para ajudar a Grécia, e também desde que o BCE prometeu fazer o que fosse necessário para preservar o euro, a economia do bloco monetário afundou em recessão e apresenta poucos sinais de que poderá sair dela em breve.

Com uma previsão de inflação de 1,1 a 2,1 por cento no próximo ano, não parece haver muito espaço para cortes adicionais da taxa.

Declarações recentes de autoridades locais já sugerem que o BCE não deve cortar mais as taxas no futuro próximo e que a instituição monetária está cautelosa em adotar qualquer ação que possa fazer com que os governos do bloco desacelerem seus esforços de consolidação orçamentária.

Além disso, as taxas de juros variam bastante entre os 17 países do bloco monetário, e o BCE está focado em determinar o que chama de “mecanismo de transmissão” para passar à frente as próprias taxas para todos as partes da zona do euro antes de pensar em reduzir os custos de empréstimos oficiais.

O mecanismo mais óbvio para se fazer isso seria o novo esquema de compra de títulos do BCE, ainda não usado. E essa espera deve continuar, uma vez que a Espanha resiste à pressão para pedir oficialmente um resgate --condição para o BCE dê início ao programa e compre títulos do país.

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