17 de Dezembro de 2012 / às 11:54 / em 5 anos

Boehner abre as portas para aumentos tributários nos EUA

Por David Lawder e Mark Felsenthal

Presidente da Câmara dos Deputados John Boehner se aproximou um pouco das exigências do presidente dos Estados Unidos Barack Obama sobre medidas para evitar o "abismo fiscal". 13/12/2012 REUTERS/Kevin Lamarque

WASHINGTON, 17 Dez (Reuters) - O primeiro movimento real nas negociações sobre o “abismo fiscal” nos Estados Unidos começou no domingo, quando o presidente republicano da Câmara dos Deputados, John Boehner, se aproximou ligeiramente das exigências do presidente Barack Obama em um momento em que eles tentam evitar fortes aumentos de impostos e cortes de gastos que entrarão em vigor no país a menos que o Congresso intervenha até 31 de dezembro.

Mas as novas posições de Boehner, sobre impostos e o volume total da nova receita a ser incluída em um acordo de redução de déficit, ainda estão bem longe das de Obama.

E os dois lados ainda precisam avançar em questões duras como benefícios, com os republicanos querendo muito mais do que os democratas devem tolerar em cortes ao Medicaid e ao Medicare, os programas de saúde do governo para os pobres e idosos.

Fontes próximas às negociações entre Obama e Boehner confirmaram que Boehner propôs ampliar o imposto baixo para todos que ganham menos de 1 milhão de dólares, enquanto quem recebe acima disso terá de pagar taxas maiores. Obama quer o limite em 250 mil dólares.

Sob a lei atual, o imposto máximo de 35 por cento vai vencer em 1 de janeiro, e automaticamente irá para 39,6 por cento -- nível em que estava durante a administração Clinton.

Boehner também elevou para 1 trilhão de dólares seu número para a receita total, contra 1,4 trilhão de dólares de Obama. O equilíbrio de um plano de redução de déficit de 10 anos viria de cortes de gastos.

A Casa Branca não aceitou as propostas de Boehner. A questão agora está sobre o que o presidente Barack Obama oferecerá em troca.

A oferta de Boehner de aceitar um aumento tributário para os norte-americanos mais ricos derruba um bloqueio republicano essencial para resolver o “abismo fiscal” do final do ano.

Essas grandes questões, ainda não respondidas tão perto do final do ano, sugerem, no entanto, que nenhum acordo sobre gastos e impostos é iminente.

A apenas duas semanas antes do abismo fiscal de 600 bilhões de dólares em aumentos de impostos e cortes de gastos começarem automaticamente, ameaçando causar uma nova recessão, há pouco tempo para chegar a um acordo abrangente que satisfaça tanto democratas como republicanos.

Até a última oferta republicana, Boehner insistia na ampliação de todas as taxas baixas de impostos da era Bush. Um coro crescente de executivos empresariais também pedia que os republicanos concordassem com isso.

Alguns parlamentares e conselheiros de congressistas previram que os republicanos, uma vez que negociações sérias começassem, poderiam tentar aumentar o limite de 250 mil dólares para 500 mil ou 1 milhão de dólares. Eles também especularam que os republicanos, se forçados a aceitar um aumento de impostos para grupos de alta renda, podem buscar um aumento menor, por volta de 37 por cento.

Apesar de a Casa Branca não ter aceitado a proposta de Boehner, ela pode afastar as negociações de posições enraizadas e ideológicas.

“Boehner aceitou agora a premissa de impostos mais altos. Portanto agora estamos apenas argumentando sobre os detalhes. Eu acredito que isso é um passo significativo”, afirmou o estrategista-chefe de política do Potomac Research Group, Greg Valliere.

Um acordo com metas de receita de impostos e cortes de gastos a ser finalizada no ano novo pode ser possível, disse Valliere.

“A oferta de Boehner para permitir aumentos de impostos para contribuintes que ganham mais de 1 milhão de dólares fundamentalmente transforma as negociações do abismo fiscal”, afirmou o analista de política norte-americana do Eurasia Group, Sean West.

Ainda há muitos elementos críticos para lidar além do aumento tributário sobre os ricos, incluindo demandas republicanas para cortar gastos em programas sociais.

Mudanças nos caros programas de saúde Medicare e Medicaid para idosos e pobres podem ser centrais para qualquer acordo, que deve também incluir um aumento no limite da dívida federal necessário até o fim de fevereiro.

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