28 de Janeiro de 2013 / às 00:06 / em 5 anos

Fumaça da queima de revestimento acústico causou maioria de mortes, diz resgate

Por Ana Flor

Familiares de vítimas mortas em incêndio em boate Kiss, que deixou mais de 230 mortos em Santa Maria, identificam corpos. REUTERS/Ricardo Moraes

SANTA MARIA, 27 Jan (Reuters) - A fumaça resultante da queima do revestimento acústico de uma boate em Santa Maria, no interior do Rio Grande do Sul, foi a principal causa das mais de 230 mortes no incêndio que consumiu o local, frequentado em sua maioria por estudantes universitários, disseram bombeiros que participaram dos trabalhos de resgate no local.

Para entrar no que até o início da madrugada deste domingo era a boate Kiss, uma das mais famosas de Santa Maria, local a que a Reuters teve acesso, é preciso passar por pilhas de sapatos, poças d‘água, chumaços de cabelo espalhados no chão e um cheiro quase irrespirável de queimado.

O que eram os bancos de um bar, agora é uma pilha de ferro retorcido, o palco não existe mais e há ainda restos do que foi um revestimento acústico pendurado em partes do teto.

Foi a queima desse revestimento que, segundo o Corpo de Bombeiros, asfixiou mais de 90 por cento das vítimas.

O Batalhão de Bombeiros de Santa Maria recebeu o chamado sobre o incêndio às 3h20 de domingo, segundo o comandante do turno, sargento Robson Muller. O fogo começou por volta das 2h30 da madrugada.

Ao chegar ao local, os 12 bombeiros primeiros bombeiros encontraram pouco fogo e uma nuvem de fumaça que chegou a fazer alguns integrantes da corporação passarem mal.

“O material do revestimento se consumiu sem chamas, mas provocando uma fumaça tóxica”, disse o sargento Muller.

Os bombeiros usaram uma técnica de ventilação, ao quebrar uma parede na entrada da boate --o único dano perceptível à primeira vista do lado de fora é justamente parte da parede de madeira externa quebrada.

Os bombeiros começaram a retirar as pessoas da boate que iam sendo atendidas do lado de fora por um serviço de emergência. Segundo o sargento Muller, a maioria das vítimas estava nos banheiros da boate.

“É instintivo a pessoa procurar fugir do calor, e o banheiro sempre parece um lugar frio. Só que lá elas não escaparam da fumaça”, disse.

Por volta das 5h mais bombeiros chegaram para ajudar na tarefa. Segundo o sargento, no entanto, já não havia mais sobreviventes no local.

Ao retirar os corpos, o que impressionou os bombeiros foi os celulares das vítimas tocando ininterruptamente.

“Nunca pensei que eu fosse participar de um salvamento tão trágico. Espero que nunca se repita”, acrescentou o sargento.

A boate tinha três ambientes e o mais destruído pelo incêndio foi o que abrigava o palco, justamente o local onde foi aceso o sinalizador que deu início ao incêndio, durante o show de uma banda que se apresentava no local.

Uma jovem que estava no local no momento da tragédia disse ter visto um artefato produzindo faísca no palco.

“Olhamos para o palco e vimos muito fogo. Eu puxei meu marido e empurrei minha amiga para a porta”, disse Isamara Alberici Muscopf, de 30 anos.

Essa foi a segunda vez que ela e o marido, Norton Basso, de 29 anos, foram à boate este ano. Eles e um grupo de seis amigos comemoravam o aniversário de Norton. Todos sobreviveram.

“Tivemos muita sorte”, disse ele. O grupo ficou até as 7h ajudando a socorrer as vítimas.

Segundo o comandante do Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Sul, coronel Guido Pedroso de Melo, havia em torno de 1.500 pessoas dentro da boate no momento do incêndio. O local tinha lotação máxima permitida de 1.000 pessoas.

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