28 de Janeiro de 2013 / às 16:09 / em 5 anos

Defensoria pública gaúcha pede bloqueio de bens de donos de boate

Por Ana Flor

Vista do exterior da boate Kiss, na cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, onde ocorreu um forte incêndio. A polícia do RS já ouviu cerca de 20 testemunhas do incêndio que matou 231 pessoas no domingo, e agora se concentrará completamente nos esforços de investigação da tragédia. 27/01/2013 REUTERS/Edison Vara

SANTA MARIA, 28 Jan (Reuters) - A Defensoria Pública do Rio Grande do Sul entrou no início da noite desta segunda-feira com um pedido de bloqueio de bens dos proprietários da boate Kiss, onde 231 pessoas, a maioria jovens, morreram em um incêndio no domingo.

O pedido da defensoria vem no mesmo dia em que os dois proprietários da boate foram detidos temporariamente junto a dois integrantes da banda que se apresentava no local no momento da tragédia.

A Polícia Civil do Estado disse que foi o acionamento de um sinalizador por um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira que provocou o incêndio.

Segundo o defensor público geral do Estado Nilton Arnecke Maria, o órgão estuda também entrar nos próximos dias com uma ação indenizatória coletiva contra os donos da boate e, talvez, contra o poder público.

“Se houve negligência, a ação poderá envolver também o município e o Estado”, disse ele.

Também nesta segunda-feira, a polícia disse que as investigações apontam, além do sinalizador como causa do incêndio, que a porta da boate dificultou a saída das pessoas que tentavam escapar.

“O panorama probatório é esse. Que o local tenha se queimado em razão do sinalizador e que as portas não tenham dado vazão para a saída das pessoas que estavam lá dentro”, disse o delegado Marcelo Arigone.

A polícia deteve nesta segunda-feira os dois proprietários da boate --Elisandro Spohr, que está internado em uma clínica na cidade de Cruz Alta, e Mauro Hoffmann-- além de dois integrantes da banda --Luciano Augusto Bonilha Leão e Marcelo de Jesus dos Santos Neto.

Os nomes dos presos não foram confirmados oficialmente pela polícia por se tratar de uma prisão temporária, que não implica necessariamente responsabilização dos detidos, mas foram confirmados à Reuters por uma fonte policial que pediu para não ter o nome revelado.

Mario Cipriani, advogado de Hoffmann, que se apresentou à polícia na tarde desta segunda-feira, afirmou que seu cliente era um sócio investidor, que possui 50 por cento do investimento, mas não tem poderes de administração da boate. Segundo ele, Hoffmann não sabia dos shows contratados ou o andamento de vistorias e autorizações.

“Ele tem outra casa noturna que está rigorosamente em dia, como ele acreditava que a Kiss também estava”, afirmou Cipriani.

Hoffmann disse no depoimento à polícia, segundo seu advogado, que em sua outra boate na cidade, chamada Absinto, shows pirotécnicos são proibidos. Ele disse ser amigo de longa data de Spohr, que seria responsável pelo gerenciamento da Kiss.

A polícia afirmou já ter colhido mais de 20 depoimentos sobre o caso e que já ouviu todas as pessoas que considera mais relevantes neste momento. Em entrevista coletiva no fim da tarde, os delegados responsáveis pelas investigações evitaram se comprometer com prazos para concluir o inquérito.

“Pelo andar da investigação, parece que nós estamos indo bem, mas não temos como precisar (um prazo) ... Até porque dependemos desta prova pericial que é fundamental”, disse o chefe da Polícia Civil no Estado, Ranolfo Vieira Júnior.

Os delegados disseram que o foco da polícia está centrado agora na realização da perícia, em encontrar provas documentais e ouvir todos os sobreviventes da tragédia, que deixou outras 75 pessoas ainda internadas em estado grave e respirando com ajuda de aparelhos.

Até então, as equipes da polícia ainda centravam esforços na identificação das vítimas e liberação dos corpos. Peritos de Porto Alegre e voluntários do Conselho Regional de Engenharia visitaram a boate nesta segunda-feira.

A polícia também disse não ter dúvidas de que o incêndio começou com o disparo de um artefato pirotécnico, mas espera no entanto, reunir mais provas documentais.

Outra dúvida é se o circuito interno de vigilância estava em funcionamento ou se as imagens desapareceram.

“O proprietário afirmou que havia três meses que o equipamento não funcionava”, disse o delegado.

O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), que novamente visitou Santa Maria nesta segunda-feira, prometeu que “não serão medidos esforços” para apurar as causas e determinar responsabilidades pela tragédia.

“Queremos que este seja um inquérito exemplar”, disse o governador. “Se nós não soubermos exatamente as causas, a nossa indicação de responsabilidades será falha.”

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below