31 de Janeiro de 2013 / às 11:08 / 5 anos atrás

Santander Brasil lucra menos e desacelera crédito no 4o tri; vê 2013 melhor

Por Aluísio Alves e Alberto Alerigi Jr.

Presidente espanhol Santander, Emilio Botin, gesticula durante apresentação de resultados na sede do banco em Boadilla del Monte, na Espanha. O Santander Brasil informou nesta quinta-feira lucro líquido 1,598 bilhão de reais para o quarto trimestre, resultado 3 por cento abaixo do obtido um ano antes, mas que ficou acima do esperado por analistas em meio a uma queda nas provisões sobre inadimplência na comparação com o período encerrado em setembro. 31/01/2013 REUTERS/Sergio Perez

SÃO PAULO, 31 Jan (Reuters)- O Santander Brasil registrou queda do lucro, fraca expansão de sua carteira de crédito e piora da qualidade dos ativos no quarto trimestre, mas previu melhora em 2013, em meio à perspectiva de maior crescimento econômico do país.

O quinto maior banco comercial do país teve lucro líquido 1,598 bilhão de reais no período, cerca de 3 por cento menos que um ano antes, mas acima da previsão média de 1,29 bilhão de reais por analistas consultados pela Reuters.

Em 2012, o lucro somou 6,329 bilhões de reais, recuo de 5 por cento ante 2011.

A carteira de crédito fechou dezembro em 211,96 bilhões de reais, expansão de apenas 7,6 por cento em 12 meses, com avanço combinado de 6,8 por cento nos segmentos de pessoa física e de financiamento ao consumo e de 8,4 por cento nos empréstimos para empresas.

“É difícil andar em velocidade de cruzeiro com a economia fraca”, disse nesta quinta-feira a jornalistas o presidente-executivo da filial do banco espanhol no país, Marcial Portela.

O balanço repetiu a tendência mostrada pelo Bradesco, que abriu na segunda-feira a temporada de resultados dos grandes bancos apresentando fraco crescimento dos empréstimos e manutenção da inadimplência em nível elevado.

O lucro acima do esperado do Santander no quarto trimestre refletiu em parte a queda de 4,1 por cento na despesa com provisão para perdas com calotes, para 3,1 bilhões de reais. Isso ocorreu apesar do índice de a inadimplência com operações vencidas há mais de 90 dias ter subido 1 ponto percentual na comparação anual e 0,4 ponto sobre o trimestre anterior, para 5,5 por cento.

O nível de cobertura da carteira caiu para 126 por cento. Segundo Portela, a deterioração da carteira refletiu o foco maior do Santander Brasil no segmento de pequena e média empresa e o menor nível de renegociação de dívidas em atraso com pessoas físicas.

Para 2013, a expectativa da instituição é de que o nível de inadimplência comece a cair, liderado pela carteira de empresas no primeiro semestre, para então ser acompanhado pela carteira de varejo na segunda metade do ano.

“Esse nível de inadimplência não nos angustia”, disse Portela.

Outro ponto fraco apontado por analistas no resultado foi a receita bruta com margem financeira, que cresceu 6 por cento no quarto trimestre na comparação anual, mas recuou 3,7 por cento ante julho a setembro, para 7,8 bilhões de reais. Essa variação, segundo Portela, refletiu o menor uso de linhas de crédito rotativo por clientes pessoa física.

A expansão fraca do crédito, a piora nas margens e na qualidade dos ativos resultou em queda da rentabilidade, medida pelo retorno sobre patrimônio líquido médio anualizado, para 12,2 por cento no quarto trimestre, de 13,5 por cento um ano antes.

“Ainda que a última linha tenha sido um destaque, a qualidade dos resultados foi pobre”, comentou a equipe de analistas do Goldman Sachs liderada por Carlos Macedo, em relatório. “O crescimento do crédito foi inexpressivo, as margens caíram significativamente, a qualidade dos ativos piorou e a cobertura da carteira em atraso caiu significativamente”, acrescentou.

De todo modo, a unit do banco recuperava-se na Bovespa. Após ter começado a sessão no vermelho, às 15h58, o papel tinha alta de 1,45 por cento, a 14,74 reais, enquanto o Ibovespa tinha variação negativa de 0,02 por cento.

PERSPECTIVAS

Para 2013, o Santander Brasil prevê um crescimento de cerca de 15 por cento de sua carteira de crédito, com base na expectativa de expansão de 3 por cento da economia brasileira no período.

Apesar do fraco desempenho entre outubro e dezembro, o banco manteve seu peso dentro dos resultados globais do Santander. Mais cedo, o banco espanhol anunciou queda de 59 por cento no lucro de 2012, em meio à forte alta nas provisões para calotes e baixas contábeis no país sede.

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