1 de Fevereiro de 2013 / às 11:10 / em 5 anos

Produção industrial tem 1ª queda em 3 anos em 2012; recuperação será difícil

Por Rodrigo Viga Gaier e Tiago Pariz

Trabalhadores embalam produtos da Natura na fábrica em Cajamar, São Paulo, em setembro de 2009. A produção industrial brasileira encerrou 2012 com queda de 2,7 por cento, a primeira retração desde 2009 (-7,4 por cento) e com destaque para o fraco desempenho do setor de bens de capital, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 01/09/2009 REUTERS/Paulo Whitaker

RIO DE JANEIRO/BRASÍLIA, 1 Fev (Reuters) - A produção industrial brasileira encerrou 2012 com a primeira queda em três anos, com destaque para o fraco desempenho dos investimentos e o recuo na fabricação de veículos.

No ano passado, a produção registrou queda de 2,7 por cento, a primeira retração desde 2009, quando houve um recuo de 7,4 por cento, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.

O resultado, segundo avaliação de analistas, mostrou que a indústria entrou 2013 embicada para baixo, tornando a recuperação ainda mais complicada. Isso porque, em dezembro, a produção ficou estável frente a novembro, mês que teve a queda na atividade revisada para baixo, de 0,6 para 1,3 por cento, no pior desempenho desde janeiro de 2011.

De acordo com pesquisa da Reuters, a expectativa era de que a produção tivesse queda mensal de 0,35 por cento. As estimativas variaram de baixa de 1,30 por cento a alta de 0,30 por cento.

“O dado foi bastante ruim, apesar de ter vindo estabilidade (em dezembro). Ele traz um carregamento negativo para 2013. Então, a industria vai ter de crescer mais ainda para se recuperar”, afirmou a economista-chefe da Rosenberg Associados, Thais Zara, acrescentando que reduzirá sua previsão de expansão da indústria em 2013, hoje em 2,7 por cento.

Para a economista do banco ABC Brasil Mariana Hauer, “os problemas da indústria hoje são que os custos de produção estão altos e os dados de capacidade instaladas estão acima de 80 por cento. Então, para a indústria crescer, vai depender muito de mão de obra barata e de investimento em infraestrutura”.

Analistas consultados na pesquisa Focus do Banco Central da semana passada viam crescimento de 3,10 por cento na produção industrial em 2013.

O economista do IBGE André Macedo avaliou o resultado do ano passado como “um claro retrocesso”.

“É como se a indústria estivesse no patamar que ela operava no começo de 2010”, disse Macedo à Reuters. “Claramente houve um ajuste de estoque ao longo de 2012 e um descompasso entre a produção e o consumo.”

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Gráfico dados da indústria: link.reuters.com/xaw47s

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INVESTIMENTOS SOFREM

Todas as categorias de uso mostraram retração no ano passado, com forte destaque para a produção de Bens de capital --ligados aos investimentos--, que despencou 11,8 por cento na comparação com 2011, a maior desde 2009. No mês de dezembro, o segmento caiu 0,8 por cento sobre novembro.

“O ambiente para investimento continua muito pouco propício”, disse Thais, da Rosenberg. “Os dados de bens de capital mostram que devemos ter mais uma queda na Formação Bruta de Capital Fixo no quatro trimestre e é difícil vislumbrar uma melhora no começo do ano.”

Para o economista do IBGE, o fraco investimento no ano passado mostrou que os empresários ainda não esperavam uma recuperação do consumo, da demanda e da economia. “A queda traz um interpretação ruim e preocupação para 2013”, disse Macedo.

Também houve queda na comparação anual na produção de bens intermediários, de 1,7 por cento, e bens de consumo, de 1,0 por cento. Neste último segmento, a produção de duráveis caiu 3,4 por cento e a de semiduráveis e não duráveis recuou 0,3 por cento.

VEÍCULOS EM QUEDA

O IBGE apontou que a principal influencia negativa no resultado da produção industrial em 2012 foi a retração de 13,5 por cento na atividade de veículos automotores, justamente uma das áreas onde o governo mais atuou no ano passado através da redução das alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para estimular as vendas.

Segundo o IBGE, houve redução na produção em aproximadamente 80 por cento dos produtos pesquisados no setor, em especial a menor fabricação de caminhões e autopeças.

“A queda do IPI foi importante, mas não suficiente para recuperar o ritmo da indústria por conta de endividamento maior e compromisso da renda”, afirmou Macedo.

A indústria brasileira foi duramente afetada pela crise externa, que acabou atrapalhando também os investimentos, apesar da série de medidas de estímulos do governo, desde desonerações fiscais para consumo e produção à queda do juro básico para a mínima histórica de 7,25 por cento ao ano.

Como consequência, o setor fabril acabou sendo um dos principais responsáveis pelo resultado pífio da economia brasileira em 2012, cuja expansão ficou em cerca de 1 por cento.

Mas a confiança do setor melhorou. O índice divulgado pela Fundação Getúlio Vargas atingiu em janeiro o maior nível desde junho de 2011, sugerindo a possibilidade de uma melhora na produção industrial em 2013.

(here)

Reportagem adicional de Diogo Ferreira Gomes, no Rio de Janeiro, e Silvio Cascione, em São Paulo

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