12 de Fevereiro de 2013 / às 13:48 / 5 anos atrás

Vítimas de abusos sexuais criticam pontificado de Bento 16

Por James Mackenzie

Manifestantes seguram cartaz com fotos de vítimas de abuso sexual por membros da igreja católica em frente a uma catedral em Los Angeles. O papa Bento 16 deixa o cargo sem ter conseguido acabar com os abusos sexuais de clérigos contra menores, nem com a cultura de sigilo que alimentou o escândalo, disseram na segunda-feira grupos que representam algumas das vítimas. 01/02/2013 REUTERS/David McNew

ROMA, 12 Fev (Reuters) - O papa Bento 16 deixa o cargo sem ter conseguido acabar com os abusos sexuais de clérigos contra menores, nem com a cultura de sigilo que alimentou o escândalo, disseram na segunda-feira grupos que representam algumas das vítimas.

A entidade norte-americana Responsabilidade Episcopal disse que o papa, a despeito dos frequentes pedidos de perdão pelos abusos, não tomou medidas eficazes para corrigir o “mal incalculável” infligido a centenas de milhares de crianças assediadas por padres e bispos.

“As palavras de Bento soam vazias. Ele falava como um transeunte chocado, como se tivesse acabado de tropeçar na crise dos abusos”, disse em nota Anne Barrett Doyle, codiretora do grupo.

O escândalo de pedofilia na Igreja Católica estourou bem antes de o então cardeal Joseph Ratzinger ser eleito papa, em 2005, mas ofuscou seu pontificado desde o início, à medida que novos casos continuaram vindo à tona no mundo todo.

Centenas de vítimas vieram a público com devastadores relatos sobre abusos sofridos nas mãos de padres, em alguns casos por anos a fio, causando graves danos psicológicos.

Pouco antes de assumir o cargo, Ratzinger falou em limpar a “sujeira” da Igreja, e posteriormente manifestou “profundo remorso” pelos danos. Mas o choque sentido em todo o mundo católico contribuiu para uma constante sangria dos seus membros.

“Ele falou publicamente sobre a crise mais do que seu antecessor, mas isso por si só não é nenhum feito”, disse em nota a entidade SNAP, que também defende vítimas dos abusos. “Isso é simplesmente porque as revelações de um acobertamento nos mais altos escalões se tornaram amplamente documentadas durante seu pontificado”.

Os críticos mais ferozes acusam Bento 16 de cumplicidade direta com o acobertamento, para proteger a imagem da Igreja.

“Essa renúncia não poderia vir em melhor hora, e deveria ser seguida pela renúncia da maior parte da hierarquia da Igreja Católica Romana”, disse o ativista Ray Mouton, autor do romance “In God’s House” (“Na Casa de Deus”), que aborda o tema dos abusos.

Como chefe da Congregação para a Doutrina da Fé, antes da sua ascensão a papa sob o nome de Bento 16, o cardeal Ratzinger era responsável por investigar casos de abusos sexuais e por formular a resposta da Igreja a uma crise que vinha se formando desde 1981.

Ele ascendeu ao topo da hierarquia católica logo depois de sua Congregação receber cerca de 3.000 denúncias de abusos nos anos de 2003 e 2004.

O escândalo continuou ao longo do pontificado desse religioso conservador. Ainda no mês passado, o cardeal Roger Mahony, ex-arcebispo de Los Angeles, foi privado de todas as suas atribuições públicas e administrativas após a divulgação de milhares de páginas de documentos detalhando abusos.

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