May 8, 2013 / 12:22 AM / 5 years ago

Brasileiro Roberto Azevêdo será 1º latino-americano a dirigir OMC

Por Tom Miles

O recém-eleito diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), o brasileiro Roberto Azevêdo, fala durante entrevista à Reuters em Londres, Reino Unido. 14/03/2013 REUTERS/Luke MacGregor

GENEBRA, 7 Mai (Reuters) - O diplomata brasileiro Roberto Azevêdo venceu a disputa para ser o próximo diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), tornando-se o primeiro latino-americano e o primeiro representante do grupo Brics no cargo.

Azevêdo terá pela frente o enorme desafio de revigorar o organismo global criado em 1995, que nos últimos anos foi incapaz de concluir a chamada Rodada de Doha da liberalização comercial global após um prolongado impasse nas negociações.

O brasileiro derrotou o mexicano Herminio Blanco, amplamente visto como o candidato dos Estados Unidos. O mandato do atual diretor-geral, o francês Pascal Lamy, termina em 31 de agosto.

O resultado do processo deveria ter sido mantido em segredo até um anúncio formal na quarta-feira, mas o governo brasileiro confirmou na terça-feira que Azevêdo, de 55 anos, venceu a última rodada de votação por ampla margem.

A “troika” responsável pelo processo de seleção confirmou a escolha do brasileiro.

“Nossa visão para a Direção-Geral da OMC, que favorece o diálogo e a convergência em torno da revitalização do sistema multilateral de comércio, foi muito bem recebida pelos membros durante a campanha”, disse Azevêdo em nota. “A candidatura teve uma base de apoios bastante ampla e horizontal, junto a todas as categorias de países.”

A ascensão de um candidato dos Brics (grupo de economias emergentes formado por Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul) ilustra a crescente força dos grandes países em desenvolvimento, num momento em que as nações industrializadas lutam para se recuperar da crise financeira de 2008.

“O Brasil tinha claro que, por sua experiência e compromisso, ele (Azevêdo) poderia conduzir a Organização na direção de um ordenamento econômico mundial mais dinâmico e justo”, disse a presidente Dilma Rousseff em nota. “Essa não é uma vitória do Brasil, nem de um grupo de países, mas da Organização Mundial do Comércio.”

Brasil e México, frequentemente vistos como rivais regionais, haviam defendido seus respectivos candidatos, buscando consolidar seu status como potências emergentes.

Azevêdo, atual embaixador do país na OMC, salientava sua capacidade de escutar todos os lados numa negociação e buscar soluções por meio da discreta construção de consensos, em contraste com a ideia de Blanco de usar o setor privado para forçar os governos a aceitarem acordos.

“LIBERALIZAÇÃO NÃO-DOGMÁTICA”

“A escolha de Roberto Azevêdo significa muito para muitos no sistema da OMC que vinham buscando uma perspectiva não-dogmática para a liberalização comercial”, disse Ricardo Melendez-Ortiz, ex-negociador comercial colombiano que hoje dirige o Centro Internacional para o Comércio e Desenvolvimento Sustentáveis, em Genebra.

“Ele provavelmente terá uma maior tendência a ser solidário com as visões dos países africanos e dos países em desenvolvimento, que têm esperado soluções por parte da OMC para as suas questões (...). Isso não significa que seu trabalho será simples”, acrescentou.

O Brasil, sétima maior economia mundial, adota uma posição mais gradual em relação à liberalização comercial, o que pode ser mais atraente para as nações em desenvolvimento. No entanto, o Brasil tem sido duramente criticado por outros países da OMC por elevar os impostos sobre centenas de produtos importados e por favorecer produtores locais em compras governamentais.

As negociações comerciais globais lançadas em 2001 em Doha atingiram um impasse em 2011, obrigando a OMC a priorizar um pacote bem mais modesto de reformas comerciais, e levando muitos países a buscarem acordos bilaterais e regionais, em vez de esperarem um novo marco comercial global.

Mas até o pacote mais modesto de reformas, amplamente visto como um crucial primeiro passo, está se revelando difícil de negociar. Ao mesmo tempo, as regras globais da OMC correm o risco de serem solapadas pela pletora de acordos regionais agora em negociação.

Em Washington, o Conselho Nacional de Comércio Exterior dos EUA, importante grupo da iniciativa privada, louvou a experiência de Azevêdo e a ênfase na construção de consensos que ele demonstra em Genebra, mas alertou que sua tarefa será árdua.

“O próximo chefe da OMC enfrenta duas tarefas críticas para guiarem seus membros na direção de um resultado bem sucedido para a conferência ministerial de dezembro próximo na Indonésia e para a construção de um consenso na direção de uma pauta mais ampla de modernizar as regras comerciais para a era digital”, disse Jake Colvin, vice-presidente do grupo.

A conferência ministerial bienal da OMC, que será realizada em Bali (Indonésia), será o batismo de fogo para o novo diretor-geral.

O acordo que a OMC espera costurar em Bali visa a reduzir a burocracia ao padronizar procedimentos alfandegários, concedendo ao mundo um impulso econômico na casa do trilhão de dólares. Outros objetivos são adotar novas regras para promover a segurança alimentar e fazer concessões a países mais pobres.

Mas os EUA e outros alertam que, na atual trajetória, a OMC não vai obter acordo nenhum em Bali, o que impõe um enorme ônus às expectativas que envolvem Azevêdo.

O processo de seleção do novo diretor-geral teve início em dezembro de 2012, com a inscrição dos candidatos ao cargo. Além de Azevêdo, outros oito candidatos se apresentaram. Quatro foram eliminados na primeira rodada de consultas aos membros da OMC, no início de abril, e outros três na segunda rodada, finalizada em 24 de abril.

Reportagem adicional de Alonso Soto, Anthony Boadle em Brasília e Doug Palmer em Washington

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