24 de Junho de 2013 / às 15:28 / em 5 anos

"Desdém" do papa a concerto espanta cardeais

Por Philip Pullella

Papa Francisco recebe 250 crianças, que viajaram num trem especial saído de Milão para conhecê-lo, na estação de trem de São Pedro, no Vaticano. O não comparecimento do papa Francisco a um concerto em que ele teria sido o convidado de honra enviou outro sinal claro de que ele fará as coisas à sua maneira e de que não gosta do estilo de vida luxuoso do Vaticano. 23/06/2013. REUTERS/ Giampiero Sposito

CIDADE DO VATICANO, 24 Jun (Reuters) - O não comparecimento do papa Francisco a um concerto em que ele teria sido o convidado de honra enviou outro sinal claro de que ele fará as coisas à sua maneira e de que não gosta do estilo de vida luxuoso do Vaticano.

O concerto de gala de música clássica, no sábado, foi agendado antes de sua eleição em março. Mas a poltrona papal branca, erguida na suposição de que ele estaria ali, permaneceu vazia.

Minutos antes do início do concerto, um arcebispo disse à plateia, composta de cardeais e dignitários italianos, que “um compromisso urgente que não podia ser adiado” impediu a presença de Francisco.

Os prelados, assegurados de que a saúde não foi o motivo para o não comparecimento, pareceram desorientados, percebendo que a mensagem que ele queria enviar era a de que, com a Igreja em crise, ele -e talvez eles- tinha trabalhos pastorais demais para comparecer a eventos sociais.

“Pegou-nos de surpresa”, disse uma fonte do Vaticano na segunda-feira. “Ainda estamos em um período de adaptação. Ele ainda está aprendendo a ser papa e nós ainda estamos aprendendo o modo como ele quer fazer isso”, disse.

“Na Argentina, eles provavelmente sabiam que não deveriam organizar eventos sociais como concertos para ele porque ele provavelmente não iria”, disse a fonte, que falou sob anonimato porque não está autorizada a discutir a questão.

A imagem da cadeira vazia foi utilizada por vários jornais, com o Corriere della Sera na segunda-feira descrevendo sua decisão como “uma demonstração de força” para ilustrar o estilo simples que quer que as autoridades eclesiásticas adotem.

Desde a sua eleição, em 13 de março, Francisco, o ex-cardeal Jorge Bergoglio da Argentina, não passou uma única noite nos opulentos e espaçosos apartamentos papais.

Ele preferiu viver em uma pequena suíte em uma movimentada pousada do Vaticano, onde faz a maioria das refeições em um salão de jantar comunitário e reza a missa todas as manhãs na capela da pousada, em vez de na capela privada do papa no Palácio Apostólico.

Na véspera do concerto, Francisco disse que os bispos deveriam ser “próximos do povo” e não ter “a mentalidade de um príncipe”.

No sábado, enquanto o concerto acontecia em um auditório a poucos metros de distância, Francisco supostamente trabalhava em novas nomeações para a Cúria, a problemática administração central do Vaticano.

A administração foi responsabilizada por alguns dos contratempos e escândalos que atormentaram o mandato de oito anos do papa Bento antes de ele renunciar em fevereiro.

Francisco herdou uma Igreja que luta para lidar com o abuso sexual de crianças por padres, a suposta corrupção e rixas internas na Cúria, e o conflito sobre o funcionamento do banco do Vaticano, atolado em escândalos.

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