July 3, 2013 / 12:29 PM / 5 years ago

Em dia de "duelo", generais e presidente se dispõem a morrer pelo Egito

Por Tom Perry e Maggie Fick

Apoiadores do presidente egípcio Mohamed Mursi gritam palavras de ordem durante protesto na praça da mesquita Raba El-Adwyia, no Cairo. O comandante do Exército egípcio e o presidente do país prometeram nesta quarta-feira morrer na defesa de suas respectivas posições, no dia em que vence um ultimato dado pelas Forças Armadas, com apoio dos manifestantes nas ruas, para que o governo de Mohamed Mursi partilhe poderes com a oposição. 3/07/2013. REUTERS/Khaled Abdullah

CAIRO, 3 Jul (Reuters) - O comandante do Exército egípcio e o presidente do país prometeram nesta quarta-feira morrer na defesa de suas respectivas posições, no dia em que vence um ultimato dado pelas Forças Armadas, com apoio dos manifestantes nas ruas, para que o governo de Mohamed Mursi partilhe poderes com a oposição.

Os líderes militares divulgaram uma conclamação à luta intitulada “As horas finais” e disseram estar dispostos a derramar seu sangue contra os “terroristas e tolos”, caso Mursi se recuse mesmo a renunciar.

Faltando menos de cinco horas para o fim do prazo dado pelos generais a Mursi, a cúpula militar realizava uma reunião de crise, prenunciando uma possível intervenção militar contra o presidente islâmico, primeiro líder eleito democraticamente na história do país.

No fim da noite de terça-feira, Mursi fez um emotivo e confuso pronunciamento pela TV, dizendo que permaneceria no cargo para defender a ordem constitucional. “O preço de preservar a legitimidade é a minha vida”, afirmou ele.

Oposicionistas liberais disseram que o discurso mostrou que Mursi “perdeu a cabeça”.

Gehad El-Haddad, porta-voz da Irmandade Muçulmana, grupo político que dá sustentação a Mursi, disse que seus partidários estão dispostos a morrer como mártires para defender o presidente.

“Só há uma coisa que podemos fazer: vamos nos colocar entre os tanques e o presidente”, disse o porta-voz à Reuters em um acampamento de manifestantes pró-governo, num subúrbio do Cairo onde há várias instalações militares e que fica perto do palácio presidencial.

“Não permitiremos que o desejo do povo egípcio seja novamente intimidado pela máquina militar.”

O Egito vive sua pior crise desde que uma rebelião popular derrubou o regime de Hosni Mubarak, em 2011. A oposição acusa o governo islâmico de concentrar excessivos poderes.

O jornal estatal Al-Ahram disse que Mursi deve renunciar ou ser deposto pelos militares e que o Exército pretende instituir um conselho presidencial com três integrantes a ser dirigido pelo presidente da Corte Constitucional Suprema.

Uma fonte militar afirmou que o Exército provavelmente convocará inicialmente personalidades políticas, sociais e econômicas, além de jovens ativistas, para discutir a preparação de um “mapa” para o futuro do país.

Durante a noite, uma multidão de manifestantes concentrada na praça Tahrir, no Cairo, festejou a iminência do golpe militar, vendo nisso uma salvação da democracia revolucionária iniciada com a queda de Mubarak.

Reportagem de Asma Alsharif, Alexander Dziadosz, Shaimaa Fayed, Maggie Fick, Alastair Macdonald, Shadia Nasralla, Tom Perry, Yasmine Saleh, Paul Taylor, Ahmed Tolba e Patrick Werr, no Cairo; de Abdelrahman Youssef, em Alexandria; de Yursi Mohamed, em Ismailia; e de Phil Stewart, em Washington

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