July 17, 2013 / 9:46 PM / 5 years ago

Segurança do RJ considera "temeridade" papamóvel sem blindagem, diz fonte

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO, 17 Jul (Reuters) - As autoridades de segurança do Rio de Janeiro consideram uma “temeridade” a decisão do papa Francisco de dispensar papamóveis blindados durante sua visita ao Brasil na semana que vem, disse uma fonte do governo estadual fluminense nesta quarta-feira.

O principal receio é com os deslocamentos que o papa fará em Copacabana, num trajeto de mais de 3 quilômetros entre o Forte de Copacabana e o palco que esta sendo montado para as celebrações da Jornada Mundial da Juventude na praia.

Segundo o Vaticano, o papa Francisco decidiu utilizar os papamóveis abertos, iguais aos usados durante as audiências gerais na Praça de São Pedro, para ter contato direto com a multidão no Brasil, apesar dos riscos envolvidos.

“Nós somos apenas a ponta do processo, mas a responsabilidade se der um problema é nossa, porque ninguém vai assinar um documento dizendo que assume”, disse a fonte, que falou sob condição de anonimato.

Os organizadores da Jornada Mundial da Juventude estimam um público de 1,5 milhão de pessoas em cada um dos dois eventos que serão realizados em Copacabana com a presença do papa, nos dias 25 e 26. Há uma preocupação das autoridades com protestos marcados para coincidir com a visita do papa ao Rio.

“Há pelo menos três protestos marcados. Teremos que agir com muita sabedoria”, afirmou a fonte. “Se tiver que atuar, a polícia terá que ser cautelosa, porque não podemos vender uma imagem de uma polícia dura... O mundo inteiro vai estar de olho no papa e no que acontece no Brasil”, disse a fonte fluminense.

No mês passado foram realizados os maiores protestos de rua no país dos últimos 20 anos, que chegaram a levar em um só dia mais de um milhão de pessoas às ruas de várias cidades brasileiras. Em alguns protestos, a polícia entrou em confronto com grupos de manifestantes.

O efetivo de segurança para a visita do papa está estimado em ao menos 22 mil homens. Serão mais de 10 mil integrantes das Forças Armadas, cerca de 7 mil policiais do Rio, 1.300 homens da Força Nacional de Segurança e agentes das Polícias Federal e Rodoviária, além de agentes da guarda municipal.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse que as autoridades estão analisando a decisão do papa de recusar o automóvel blindado e conversando com o Vaticano para montar um plano de segurança que “minimize o mais possível situações de risco”.

“Tenho certeza que o plano será exitoso” disse a jornalistas ao sair de encontro com autoridades das três esferas de governo, no Rio de janeiro, nesta quarta-feira.

Já o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência, minimizou nesta quarta-feira preocupações com a segurança do pontífice argentino.

“A principal segurança do papa é o entusiasmo, a tradição de paz e de fraternidade do povo brasileiro”, disse o ministro a jornalistas em Brasília. “Protestos que possam haver fazem parte da democracia. O papa tem se mostrado tão aberto, tão plural na sua concepção, que eu tenho certeza que ele vai saber entender que isso é parte da saúde democrática de um país.”

O papa Francisco chega ao Brasil na segunda-feira, na primeira viagem ao exterior do seu pontificado. Francisco passará uma semana no Rio para comandar as celebrações da Jornada Mundial da Juventude.

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