July 25, 2013 / 4:09 PM / 5 years ago

Áreas de café de SP e MG escapam de geada; trigo do PR afetado

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO, 25 Jul (Reuters) - Áreas de café de Minas Gerais e São Paulo escaparam da geada desta madrugada apesar do frio intenso, que voltou a atingir o Paraná, afetando as lavouras de trigo do principal produtor do cereal do Brasil, disseram meteorologistas e técnicos.

Temperaturas abaixo de zero também foram registradas em áreas de cana-de-açúcar no sul de Mato Grosso do Sul.

“Choveu a noite inteira em áreas de café de São Paulo e Minas. Não teve nenhum registro de geada”, disse o agrometeorologista Marco Antônio dos Santos, da Somar, lembrando que o clima úmido dificulta a formação do fenômeno.

Em um boletim divulgado na quarta-feira, o instituto havia alertado para uma “pequena chance de geada” no sul de Minas Gerais, principal região cafeeira do Brasil, maior produtor e exportador mundial da commodity.

A quinta-feira amanheceu chuvosa e com temperaturas acima de oito graus no sul de Minas, segundo a Somar.

PARANÁ

No Paraná, que teve a terceira madrugada de frio intenso e geadas, os produtores começam a contabilizar os danos, principalmente nas lavouras de trigo.

Nas primeiras horas desta quinta-feira houve novamente registro de condições para formação de geada em diversas regiões, segundo a Somar.

“O centro-sul, o sudoeste, o oeste e parte do norte ainda tiveram formação de geada”, disse o meteorologista Lizandro Jacobsen, do instituto paranaense Simepar.

O Paraná lidera a produção de trigo no Brasil, e cerca de metade de suas lavouras estão em fase vulnerável ao frio intenso —dependendo das perdas, o país terá que elevar as importações do cereal. O Estado também é o quinto maior produtor de café do Brasil.

“Pegou todas as áreas do Paraná, as mesmas áreas de ontem... Como a massa de ar polar está enfraquecendo, os danos devem ter sido bem menores do que ontem”, disse Santos, da Somar.

A ocorrência de geadas na região de Londrina foi geral, mas com maior ou menor intensidade, conforme a região, disseram técnicos do Departamento de Economia Rural (Deral), em relatório diário.

“As lavouras de trigo que se encontram em floração e frutificação foram atingidas com perdas significativas”, disse o Deral, referindo-se à região de Londrina.

Na região de Pato Branco, o frio intenso “ocasionou danos, ainda não mensurados, nas áreas de trigo plantadas fora do zoneamento agrícola”, equivalentes a 10 por cento das áreas cultivadas, disse o relatório do Deral.

“As geadas de ontem foram de forte intensidade na maioria dos municípios da região, e as perdas na agricultura podem ser superiores às que os produtores vinham estimando inicialmente”, disse José Tosato, técnico do Deral em Ponta Grossa.

Técnicos da Coamo, uma das maiores cooperativa do Brasil no setor de grãos, com sede em Campo Mourão, percorrem as lavouras para avaliar eventuais estragos causados pelo frio, disse a assessoria de imprensa da entidade.

Especialistas explicam que só é possível visualizar claramente os impactos nas plantas de trigo quatro ou cinco dias após as geadas.

O Paraná produz cerca de 4 por cento do café colhido no Brasil e os relatos em algumas regiões são de prejuízos.

“A cafeicultura (...) deve ter algumas áreas erradicadas, pois acreditamos que mais de 30 por cento das áreas foram afetadas com maior força”, escreveu José Antonio Gervásio, técnico do Deral na região do municípios de Jacarezinho.

Na região de Londrina os agrônomos relataram que os grãos de café, já secos, não foram afetados. No entanto, o efeito da geada deverá ser visto na próxima safra, com diminuição do potencial produtivo.

O Simepar alerta que a massa de ar frio continuará sobre o Paraná nesta sexta-feira, mesmo que com menor intensidade, com potencial de formação de geadas na metade sul do Estado.

CANA EM MATO GROSSO DO SUL

A região de produção de cana em Rio Brilhante, no sul de Mato Grosso do Sul, registrou temperatura de 2,2 graus negativos durante a madrugada, informou a Somar.

“Foi a cidade com menor temperatura em todo o Estado do Mato Grosso do Sul”, disse o meteorologista Celso Oliveira.

Ele afirmou que a massa de ar polar conseguiu se intensificar no noroeste do Paraná, oeste de São Paulo e sul de Mato Grosso do Sul, onde o frio chegou a ser mais forte nesta quinta do que na madrugada anterior.

“Com essa temperatura é preocupante”, disse Oliveira, referindo-se a Rio Brilhante, ressaltando que é muito cedo para fazer qualquer avaliação de prejuízos às lavouras.

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