4 de Agosto de 2013 / às 13:47 / em 4 anos

África e países ocidentais mostram desacordo sobre eleição no Zimbábue

Por Cris Chinaka

Locais leem jornais na cidade de Mbare, perto de Harare, Zimbábue. 4/08/2013 REUTERS/Siphiwe Sibeko

HARARE, 4 Ago (Reuters) - O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, parabenizou o líder do Zimbábue, Robert Mugabe, no domingo, por sua reeleição, em nítido contraste com os governos ocidentais, que questionam a credibilidade de uma apressada e disputada eleição.

Monitores africanos em geral aprovaram a realização das eleições, mas o principal rival de Mugabe, o líder do Movimento para a Mudança Democrática (MMD), Morgan Tsvangirai, disse que vai contestar os resultados na Justiça com evidências de enormes fraudes eleitorais, irregularidades e intimidação.

Os pontos de vista agudamente divergentes sobre as eleições de quarta-feira vieram à tona depois que as autoridades eleitorais do Zimbábue declararam uma vitória esmagadora para Mugabe e seu partido ZANU-PF, dando ao presidente mais velho da África mais cinco anos à frente de uma nação que ele governou pelos últimos 33 anos.

O impasse aumenta levanta temores de uma repetição no país africano do tumulto que se seguiu à contestada eleição de 2008. A violência forçou os vizinhos do Zimbábue a mediarem um governo de unidade frágil entre o ZANU-PF e o MMD.

Mas as “profundas congratulações” de domingo, oferecidas a Mugabe por Zuma, líder da potência econômica da África, reflete uma vontade das representações diplomáticas do continente de engolir a reeleição de Mugabe, de 89 anos, com o objetivo de manter a estabilidade regional.

Mugabe, um dos grandes homens da luta de libertação do sul da África, que acabou com a minoria branca, é admirado como um nacionalista desafiador por alguns africanos, embora outros compartilhem a visão ocidental do líder como um déspota cruel que destruiu Zimbábue.

“O presidente Zuma apela a todos os partidos políticos no Zimbábue que aceitem o resultado das eleições, já que os observadores relataram que ser essa a expressão da vontade do povo”, disse o líder sul-africano em sua declaração.

A capital do Zimbábue, Harare, estava calma no domingo, com muitos moradores a caminho da igreja. Os jornais estampavam “ZANU-PF se regozija com a vitória” e “Tsvangirai contesta os resultados das eleições”.

Observadores ocidentais foram barrados das eleições de quarta-feira.

Monitores da União Africana e da Comunidade de Desenvolvimento do Sul Africano fizeram questão de frisar que as eleições foram pacíficas, em contraste com a violência de 2008, e também as confirmaram como completamente livres.

Em contraste, os Estados Unidos e os governos europeus, que têm sanções em vigor contra Mugabe sobre passado de fraude eleitoral, enumeraram uma longa lista de supostas falhas na votação.

No Zimbábue, os monitores independentes internos descreveram a eleição como “seriamente comprometida” por problemas de registro, que podem ter marginalizado até um milhão de pessoas.

A organização anticorrupção Global Witness, citando as ligações entre empresas de mineração, membros do ZANU-PF e militares pró-Mugabe, também alegou que a receita de diamantes do Estado pode ter sido gasta para garantir a reeleição de Mugabe.

O ZANU-PF rejeitou todas as alegações de fraude eleitoral.

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, declarou a desconfiança do resultado em termos inequívocos, em Washington. “Não se engane: à luz das irregularidades eleitorais significativas relatadas por observadores nacionais e regionais, os Estados Unidos não acreditam que os resultados anunciados ... representem uma expressão de credibilidade da vontade do povo do Zimbábue”, disse ele em uma contundente declaração no sábado.

A Grã-Bretanha também expressou “graves preocupações”. O ministro das Relações Exteriores, William Hague, disse que as irregularidades denunciadas “colocam em dúvida a credibilidade da eleição”.

As 28 nações da União Europeia também apontaram “deficiências identificadas no processo eleitoral e a falta de transparência”, que completam a imagem de ceticismo generalizado no Ocidente.

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