August 27, 2013 / 11:29 PM / 5 years ago

Embaixador diz que Bolívia ainda espera explicações do Brasil sobre fuga de senador

BRASÍLIA, 27 Ago (Reuters) - A Bolívia espera explicações do governo brasileiro sobre a fuga para o Brasil do senador Roger Pinto e considera que o episódio representa uma violação a acordos internacionais e um desrespeito à hierarquia diplomática, disse nesta terça-feira o embaixador boliviano em Brasília, Jerjes Justiniano.

“Se estranha o que ocorreu na Bolívia e pedimos a consequente explicação do caso, em síntese, é isso que estamos esperando”, disse o embaixador a jornalistas. “Que nos dê uma explicação das razões que motivaram o ocorrido nas últimas 48 horas”, acrescentou.

Para Justiniano, a resposta tem de vir devido à relação dos dois países. Ele disse que acordos foram violados, porém “o Brasil e a Bolívia têm uma tradição de boa vizinhança, um laço comercial muito importante, uma fronteira de mais de 3 mil quilômetros. São muitas as coisas que nos unem, por isso o pedido de explicação”.

O embaixador não opinou sobre as declarações que a presidente Dilma Rousseff fez mais cedo nesta terça-feira, mas ligou a demora de uma explicação mais profunda ao processo de transição no Ministério das Relações Exteriores, com a saída de Antonio Patriota do comando da pasta em meio à crise diplomática com o país vizinho.

Dilma criticou duramente em rápida entrevista aos jornalistas no Congresso Nacional a saída de Pinto da embaixada brasileira sem a concessão de um salvo-conduto pelo governo boliviano, e disse que o senador esteve em risco durante o episódio.

O embaixador avaliou que “no momento em que saí da embaixada brasileira” o senador perdeu direito de asilo, que havia sido concedido no ano passado pelo governo brasileiro.

O diplomata boliviano reiterou que Pinto é considerado um fugitivo da Justiça boliviana, já que é réu e “requerido pela Justiça boliviana”, que o acusa de corrupção, e por isso não era “merecedor” de asilo político.

Sobre a possibilidade de um pedido de extradição do político, um duro opositor do presidente boliviano, Evo Morales, Justiniano limitou-se a dizer que quando a Bolívia receber explicações irá tomar a decisão condizente.

Pinto deixou a Bolívia na sexta-feira a bordo de um carro da embaixada brasileira, com a presença de dois fuzileiros navais do Brasil. O veículo percorreu 1.500 quilômetros até cruzar a fronteira, sem o conhecimento das autoridades bolivianas.

O embaixador lembrou que a Bolívia respeitou em todo trajeto feito pelo senador a imunidade que um veículo com placa diplomática possui.

“A Bolívia foi respeitosa ao direito internacional que tinha o veículo com placa diplomática”, disse, mesmo com as alegações de que o carro foi parado cinco vezes durante o caminho a Corumbá (MS). Justiniano disse acreditar que as acusações de que o governo boliviano sabia da fuga são especulações.

O embaixador entregou aos jornalistas uma declaração do chanceler boliviano, David Choquehuanca, levada à embaixada do Brasil em La Paz, em que ele reitera o pedido de explicações ao governo brasileiro.

“Nós necessitamos que o Brasil explique oficialmente, formalmente a nossa comunidade, à Bolívia, à Justiça, à comunidade internacional, que necessita saber como isto aconteceu, já que se violou a normativa nacional e internacional”, disse o chanceler na declaração.

Reportagem de Nestor Rabello

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