August 28, 2013 / 2:14 PM / 5 years ago

Brasil tem "bala na agulha" para lidar com alta do dólar, diz Dilma

28 Ago (Reuters) - A presidente Dilma Rousseff justificou a recente alta do dólar no mercado brasileiro como resultado da política monetária dos Estados Unidos e lembrou que o Brasil tem grandes reservas internacionais, que chamou de “bala na agulha”, para lidar com essa turbulência.

Presidente Dilma Rousseff reage durante reunião com o secretário de estado dos EUA, John Kerry, no Palácio do Planalto, em Brasília. Nesta quarta-feira, Dilma justificou a recente alta do dólar no mercado brasileiro como resultado da política monetária dos Estados Unidos e lembrou que o Brasil tem grandes reservas internacionais, que chamou de "bala na agulha", para lidar com essa turbulência. 13/08/2013. REUTERS/Ueslei Marcelino

“Sabe aquela história de guardar no colchão? O Brasil não guarda no colchão, mas ele tem entre 378 e 372 bilhões de dólares em reservas (internacionais”, disse Dilma em entrevista por telefone a rádios de Belo Horizonte. “Então, nós temos o que se chama ‘bala na agulha’ para encarar esses processos que ocorrem internacionalmente.”

Desde que o Federal Reserve, banco central norte-americano, anunciou que poderia começar a reduzir seus estímulos econômicos a partir de setembro, ocorreu um movimento de forte desvalorização das moedas em diversos de países.

A alta do dólar nas últimas semanas se dá neste contexto, mas ela também é alimentada por um pessimismo em relação à economia brasileira. Na semana passada, o Banco Central anunciou um programa de leilões cambiais, com potencial de 60 bilhões de dólares, para tentar reduzir a volatilidade da moeda norte-americana.

“Nossa política é de dólar flexível”, disse a presidente. “O que nós fizemos? Nós entramos no mercado para atenuar essas flutuações, para não deixar que elas sejam abruptas... a gente atua de forma a suavizar essas oscilações.”

Mas ela ressaltou que o governo não tem cotação alvo para o dólar. “Não temos. Se você perguntar para alguém se tem, e se alguém responder que tem, você desconfia, porque ninguém tem condições de dizer isso.”

Dilma aproveitou para justificar o fraco desempenho da economia brasileira —que cresceu apenas 0,9 por cento em 2012 e apenas 0,6 por cento no primeiro trimestre deste ano— pelo cenário global.

“Você tem um quadro internacional nas economias de muito baixo crescimento ou, inclusive, de recessão... nós estamos numa situação de manter o crescimento, nós queremos que o crescimento se mantenha”, disse.

A presidente acrescentou que a situação fiscal do Brasil é “muito boa” e, otimista, lembrou que neste semestre devem ocorrer vários leilões de concessões para obras de infraestrutura, “que vão atrair muitos investimentos”.

Texto de Alexandre Caverni; Edição de Patrícia Duarte

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