17 de Setembro de 2013 / às 17:01 / em 4 anos

Rússia diz não haver provas de que Assad ordenou ataque com gás

Por Alissa de Carbonnel

Ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov (D) é visto ao lado de seu homólogo francês Laurent Fabius (E) em Moscou. Rússia e França discordaram radicalmente nesta terça-feira sobre o relatório de investigadores das Nações Unidas sobre um ataque com armas químicas que matou centenas de pessoas na Síria, o que evidencia os problemas para um acordo sobre medidas a adotar no Conselho de Segurança da ONU. 17/09/2013 REUTERS/Maxim Shemetov

MOSCOU, 17 Set (Reuters) - A Rússia e a França discordaram radicalmente nesta terça-feira sobre o relatório de investigadores das Nações Unidas sobre um ataque com armas químicas que matou centenas de pessoas na Síria, o que evidencia os problemas para um acordo sobre medidas a adotar no Conselho de Segurança da ONU.

Sentado ao lado de ministro das Relações Exteriores francês, Laurent Fabius, em uma entrevista à imprensa em Moscou, o chanceler russo, Sergei Lavrov, disse que o relatório não apresentou nenhuma prova de que as tropas do presidente sírio, Bashar al-Assad, realizaram o ataque de 21 de agosto e que a Rússia ainda suspeita de que tenha sido obra de forças rebeldes.

Fabius concluiu o oposto, ao dizer que o documento não deixou dúvidas de que as forças de Assad foram as responsáveis pelo ataque, que, segundo os Estados Unidos, matou mais de 1.400 pessoas. Os EUA também culparam as forças do governo sírio.

Lavrov reconheceu que o relatório dos investigadores provou que foram utilizadas armas químicas, mas afirmou não haver “resposta a uma série de perguntas feitas”, inclusive se as armas foram produzidas em uma fábrica ou feitas de modo caseiro.

“Temos motivos muito sérios para crer que isso foi uma provocação”, declarou Lavrov, após reunião em Moscou com Fabius. Os dois países têm poder de veto no Conselho de Segurança da ONU.

Ele disse que houve “muitas provocações” dos rebeldes que lutam contra o governo de Assad, e acrescentou: “Todos eles tiveram como objetivo, ao longo dos últimos dois anos, provocar uma intervenção estrangeira”.

Para Lavrov o relatório da ONU não deve ser examinado isoladamente, mas com a evidência de fontes como a Internet, outras mídias, e também relatos de “freiras de um convento próximo” e um jornalista que havia conversado com os rebeldes.

“Queremos que os eventos de 21 de agosto sejam investigados de modo desapaixonado, objetivo e profissional”, afirmou.

Depois de Lavrov falar à imprensa, Fabius, cujo país se alinha ao presidente dos EUA, Barack Obama, no apoio a uma ação militar contra a Síria, contestou a interpretação russa ao dizer que o resultado do relatório foi claro.

“Quando você olha para a quantidade de gás sarin usado, os vetores, as técnicas por trás de um ataque desse tipo, bem como outros aspectos, parece não haver dúvidas de que o regime (sírio) está por trás disso”, disse Fabius.

Lavrov e Fabius concordaram que deve ser renovado o esforço por uma solução política na Síria. O chanceler russo também agradeceu à França pelo apoio dado ao acordo entre a Rússia e Estados Unidos, o qual determina que a Síria apresente um balanço completo de suas armas químicas dentro de uma semana e remova e destrua todo o seu arsenal até meados de 2014.

Mas as diferenças sobre a culpabilidade no ataque de 21 de agosto demonstram os obstáculos enfrentados para traduzir o acordo de armas químicas em ação que conduza ao término da guerra civil na qual mais de 100 mil pessoas foram mortas desde março de 2011.

AÇÃO RÁPIDA

Os comentários dos dois chanceleres também dão indícios da provável disputa no Conselho de Segurança da ONU sobre o mecanismo para fazer Assad cumprir o acordo, que ele aceitou, e divergências sobre punição para eventuais violações.

Fabius foi a Moscou para discutir uma resolução da ONU para o enquadramento do acordo de russos e norte-americanos. Ele afirmou que o acerto foi “um passo importante, mas não o fim da história”.

“Há uma série de mecanismos precisos que devem ser inseridos em uma decisão da ONU. Nós conversamos sobre isso e o assunto deve ser tratado nos próximos dias. Eu insisti, e Sergei Lavrov também, na necessidade de agir rapidamente”, disse ele.

Mas Lavrov advertiu que, ao mesmo tempo que o Conselho de Segurança tem de adotar uma resolução embasando o acordo sobre as armas químicas, seria necessária também uma resolução separada para autorizar o uso da força em resposta a qualquer novo ataque, e depois de a culpa ter sido comprovada.

Reportagem adicional de Gabriela Baczynska em Moscou e John Irish em Paris

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