October 8, 2013 / 11:11 AM / 5 years ago

Cientistas do bóson de Higgs ganham o Nobel de física

Por Mia Shanley e Johan Ahlander

O físico britânico Peter Higgs e o belga François Englert fotografados antes de uma coletiva de imprensa sobre o bóson de Higgs, em Meyrin, próximo a Genebra. Eles ganharam o prêmio Nobel de física de 2013 por preverem a existência do bóson de Higgs, a partícula-chave para explicar por que a matéria elementar tem massa, anunciou o comitê do Nobel nesta terça-feira. 4/07/2012. REUTERS/Denis Balibouse

ESTOCOLMO, 8 Out (Reuters) - O britânico Peter Higgs e o belga François Englert ganharam o prêmio Nobel de Física de 2013 por preverem a existência do bóson de Higgs, partícula que explica como a matéria obteve massa para formar estrelas e planetas, anunciou o comitê do Nobel nesta terça-feira.

Meio século depois do trabalho teórico original dos cientistas, o “tijolo” básico do universo foi finalmente detectado em 2012 no gigantesco acelerador de partículas da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (conhecida pela sigla Cern), nos arredores de Genebra.

A descoberta foi considerada uma das mais importantes na história da física.

“Estou transbordante por receber esse prêmio”, disse Higgs em nota divulgada pela Universidade de Edimburgo, onde ele trabalhou por muitos anos. “Espero que esse reconhecimento da ciência fundamental contribua para elevar a conscientização sobre o valor das pesquisas ‘do céu azul’ (sem aplicações práticas imediatas).”

Por telefone, Englert disse a jornalistas: “Vocês podem imaginar que isso (ganhar o Nobel) não é muito desagradável, claro. Estou muitíssimo feliz por ter o reconhecimento desse prêmio extraordinário”.

Os dois cientistas eram favoritos para dividir o prêmio de 8 milhões de coroas suecas (1,25 milhão de dólares) desde que o trabalho teórico deles foi finalmente confirmado por experimentos realizados no Cern.

Para encontrar a partícula, os cientistas precisaram vasculhar os dados relativos a trilhões de colisões de prótons. O bóson de Higgs é a última peça do Modelo Padrão da física, que descreve a composição fundamental do universo.

Alguns comentaristas —mas não os cientistas— o apelidaram de “a partícula de Deus”, por ter sido crucial em ordenar o caos após o Big Bang, grande explosão primordial que deu origem ao universo.

“A teoria premiada é uma parte central do Modelo Padrão das partículas físicas que descreve como o mundo é construído”, disse a Real Academia Sueca de Ciências em comunicado. “De acordo com o Modelo Padrão, tudo, de flores e pessoas a estrelas e planetas, consiste de apenas alguns blocos de construção: partículas de matéria.”

As regras do Nobel permitem que um máximo de três ganhadores por prêmio. Só que seis cientistas publicaram estudos relevantes sobre o bóson em 1964, e milhares de outros colaboraram para detectar a partícula no Cern.

Englert, de 80 anos, e seu colega Robert Brout, que morreu em 2011, foram os primeiros a publicarem os estudos. Mas Higgs, hoje com 84 anos, seguiu-os poucas semanas depois, e foi a primeira pessoa a prever explicitamente a existência da nova partícula.

Propostas semelhantes dos pesquisadores norte-americanos Carl Hagen e Gerald Guralnik e do britânico Tom Kibble apareceram logo depois.

O Nobel de física é o segundo a ser entregue este ano. Os prêmios por reconhecimento em ciências, literatura e paz foram entregues pela primeira vez em 1901, de acordo com o testamento do inventor da dinamite e empresário Alfred Nobel.

Reportagem adicional de Niklas Pollard, em Estocolmo; Ben Hirschler, em Londres, e Robert Evans, em Genebra

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