October 9, 2013 / 4:56 PM / 4 years ago

Glória de receber o Nobel da Paz também tem lado sombrio

Por Alister Doyle e Balazs Koranyi

OSLO, 9 Out (Reuters) - Além da glória, o Prêmio Nobel da Paz tem um lado sombrio que provavelmente fará com que os membros do comitê da premiação pensem bastante antes de conceder a honra a uma adolescente paquistanesa ferida a tiros pelo Taliban, a favorita para ganhar o prêmio que será anunciado na sexta-feira.

O prêmio mudou as vidas de presidentes, ativistas em prol da liberdade ou humildes defensores de direitos humanos, mas alguns dos vencedores dizem que é difícil ser colocado por toda a vida num pedestal em que as ações, falhas e fraquezas podem ser julgadas tendo como referência a santidade.

Esse outro lado da fama será mais relevante do que nunca este ano, uma vez que a adolescente Malala Yousafzai --que há um ano levou um tiro na cabeça do Taliban por defender a educação para meninas-- tem apenas 16 anos.

Todos os outros vencedores foram premiados quando adultos. Ela teria metade da idade do mais jovem escolhido desde que o prêmio foi criado, em 1901: Tawakul Karman, uma pacifista iemenita que tinha 32 anos ao ser uma das ganhadoras do prêmio, em 2011.

Geir Lundestad, que organiza os encontros do comitê do Nobel da Paz e o evento, como diretor do Instituto Nobel Norueguês, diz que não há restrição de idade.

“Vai transformar a vida deles”, afirmou, referindo-se aos contemplados. “Eles serão inundados de convites. Serão ouvidos e alguns deles podem até ser considerados santos. Mas nunca encontrei nenhum que tivesse lamentado ter sido selecionado para o Prêmio Nobel da Paz.”

Este ano há um número recorde de 259 nomeados, mas Malala foi amplamente indicada como favorita. O comitê formado por cinco pessoas, em geral indicações políticas dos principais partidos da Noruega, faz uma triagem prévia e, então, escolhe o vencedor a partir de uma lista que não é divulgada publicamente.

Jody Williams, uma das ganhadoras do prêmio como coordenadora da campanha pela proibição das minas terrestres, em 1997, fala abertamente das desvantagens, tendo escrito em uma autobiografia publicada este ano que “vencer não foi só alegria e admiração”.

Algumas pessoas parecem imaginar que o Nobel transforma os ganhadores “em alguma coisa semelhante a uma criatura santificada. Na verdade, é bem assustador”, ela escreveu, acrescentando estar no polo oposto da madre Teresa de Calcutá, a vencedora de 1979, beatificada em 2003 pela Igreja.

Qualquer comentário solto pode ser anotado e amplificado, disse ela. No dia em que ganhou o prêmio, ela declarou, por exemplo, que poderia ter sido um erro chamar o então presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton de “um banana” por não ter assinado o tratado de banimento das minas.

Kristian Harpviken, diretor do Instituto de Pesquisa da Paz de Oslo, entidade independente, disse que Malala é sua favorita para o prêmio de 1,25 milhão de dólares deste ano. Ela também é a número 1 entre os apostadores e a mídia norueguesa.

“A principal questão sobre Malala é a sua idade”, disse ele, que acredita que o prêmio iria ter pouco efeito sobre os riscos de que a jovem, agora na Inglaterra, possa ser novamente alvo do Taliban.

Mas acrescenta: “O outro aspecto é, naturalmente, a carga sobre alguém que ainda é basicamente uma criança e terá de carregar o peso do Prêmio Nobel pelo restante da vida e isso, reconhecidamente, é uma dura decisão.”

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