November 18, 2013 / 6:38 PM / 5 years ago

Em evento do PSDB sem Serra, Aécio é exaltado e diz saber com quem pode contar

18 Nov (Reuters) - O presidente do PSDB, o senador mineiro Aécio Neves, foi exaltado como candidato a presidente da República em evento do partido nesta segunda-feira, sem a presença do ex-governador de São Paulo José Serra, e disse que, independentemente do papel que cumprir no ano que vem, saberá com quais companheiros pode contar.

Durante o encontro que teve a presença dos oito governadores tucanos, do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e dos líderes tucanos na Câmara, Carlos Sampaio (SP), e no Senado, Aloysio Nunes (SP) —um aliado de Serra dentro do partido—, Aécio foi colocado na posição de candidato presidencial por mais de um orador.

“Cumprirei meu papel, qualquer que seja ele, porque ao olhar para o lado, sei com quais companheiros eu conto”, disse o presidente tucano durante evento na cidade mineira de Poços de Caldas, que teve como mote principal o fortalecimento da federação e a descentralização dos recursos hoje majoritariamente nas mãos da União.

Embora o senador mineiro não tenha assumido claramente a posição de candidato do PSDB à Presidência no ano que vem, ele voltou a defender o fim do atual ciclo de governo do PT e disse que conquistas do governo FHC, como a estabilidade econômica e o controle da inflação, estão sob risco.

Fernando Henrique foi mais enfático em seu discurso. O ex-presidente foi o último a falar no evento que lembrou a assinatura há 30 anos de um documento pelos então governadores de São Paulo, Franco Montoro, e de Minas, Tancredo Neves (avô de Aécio), em que defendiam a realização de eleições diretas para presidente.

“Chegou o momento, Aécio, de assumir a responsabilidade”, disse. “O momento é seu. Assuma a responsabilidade... Começou uma nova arrancada de esperança, e essa arrancada tem nome e apelido: Aécio Neves”, disse.

O senador é apontado como provável candidato tucano à Presidência no ano que vem, mas ainda pode sofrer a concorrência interna de Serra, candidato ao Palácio do Planalto por duas vezes.

Segundo a assessoria de imprensa do PSDB, Serra foi convidado para comparecer ao evento em Poços de Caldas e não informou ao partido o motivo de sua ausência, que foi comentada pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

“Ontem (domingo) me procurou, à noite, o Serra. Tomamos um café e ele pediu para que trouxesse aqui o seu integral apoio à bandeira do federalismo, da descentralização e à unidade do PSDB nas suas causas em defesa da população brasileira”, disse o governador paulista que, em seu discurso, pediu a Aécio que viaje pelo país e escute os brasileiros.

Desde que Serra anunciou em outubro que permaneceria no PSDB, descartando a mudança de partido para o PPS, os dois líderes tucanos vinham mantendo uma relação cordial em relação um ao outro, mas esse discurso tem se tensionado nas últimas semanas.

Serra chegou a dizer num evento da Juventude do PSDB que o partido tinha uma necessidade de ser aceito pelo PT. Aécio rebateu a afirmação e, ao afirmar que cada um contribui para o partido como acha mais conveniente, disse que está falando bem do PSDB e mal do governo do PT.

MENSALÃO

Em entrevista coletiva antes do evento, Aécio comentou a prisão nos últimos dias de líderes petistas condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na ação penal do mensalão e criticou a postura do presidente do PT, Rui Falcão, que disse tratar-se de um julgamento político.

“Nenhum de nós, e acho que posso falar por todos os companheiros que estão aqui, comemora prisões, comemora o sofrimento de quem quer que seja, por mais radical adversário que possa ter sido ou que seja do nosso campo político”, disse.

“O que posso dizer em relação a essa questão é que a decisão do Supremo Tribunal Federal vai ao encontro de uma grande expectativa da sociedade brasileira, que era a punição não de A ou B, escolhido politicamente, mas daqueles sobre os quais recaíam provas contundentes, na avaliação da suprema corte brasileira.”

O presidente do PSDB também criticou a nota assinada por Falcão na sexta-feira, data da prisão do ex-presidente do PT José Genoino, do ex-ministro José Dirceu e do ex-tesoureiro petista Delúbio Soares.

Falcão disse na nota que o julgamento do Supremo foi “injusto, nitidamente político, e alheio a provas dos autos”.

“O que lamento, e me permitam uma palavra final como presidente do PSDB, é que o presidente nacional do PT tenha confundido uma decisão da suprema corte brasileira com uma ação política, querendo criar um clima no Brasil absolutamente distante daquele que era o natural”, disse Aécio.

“Não foi um julgamento político. Repito, o que serve para esse caso deve servir para todos os outros.”

O STF ainda precisa julgar o caso que ficou conhecido como mensalão tucano e envolveu o ex-governador de Minas Gerais pelo PSDB Eduardo Azeredo.

Reportagem de Eduardo Simões, em São Paulo

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