December 17, 2013 / 8:58 PM / 5 years ago

ENTREVISTA-Antecipação da safra de soja deve pressionar portos e armazenagem

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO, 17 Dez (Reuters) - A concentração da colheita de uma safra recorde de soja nos meses de janeiro e fevereiro deverá impor uma pressão extra sobre o sistema logístico brasileiro, disse nesta terça-feira André Pessôa, diretor da renomada consultoria AgroConsult.

“Nossa capacidade de logística para acessar os portos e armazenar nos portos é muito pequena. Acho que nesta safra vai ficar claro que o grande drama nosso é a capacidade de armazenagem, a capacidade operacional”, disse ele à Reuters. “A safra não apenas cresceu, mas cresceu num período muito curto de tempo.”

A AgroConsult estima uma colheita de 90,7 milhões de toneladas da oleaginosa neste período 2013/14, contra cerca de 82 milhões de toneladas em 2012/13.

“Quando a gente observa a área que cresceu neste ano, o delta de acréscimo de soja, de cerca de 8 milhões de toneladas, quase todo ele está concentrado na soja precoce”, disse ele.

Enquanto o pico de colheita historicamente ficava entre a segunda quinzena de março e a primeira de abril, para a nova safra o consultor prevê um deslocamento desse período para entre meados de janeiro e a primeira quinzena de fevereiro. Um grande volume de soja chegaria aos portos em fevereiro e março.

Pessôa estima que as variedades precoces de soja totalizem quase 60 por cento da safra atual, contra uma média de cerca de 40 por cento em temporadas anteriores.

“Você começa a mandar soja para o silo da trading e se você não dá vazão àquela soja na região de produção, se você não começa a mandar para o porto, o sistema todo para.”

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a capacidade estática para armazenagem de granéis é 122 milhões de toneladas atualmente.

Estes silos e armazéns não seriam capazes de absorver toda a safra brasileira de grãos de 2013/14, projetada em 195 milhões de toneladas. A situação piora quando se acrescentam à conta os estoques de safras antigas e as disparidades de distribuição geográfica destas estruturas.

De toda a capacidade instalada, apenas 13,5 por cento ficam nas fazendas e 5,6 por cento nos portos, segundo a Conab.

A logística —com um aumento não previsto de fretes rodoviários e multas por atrasos na liberação de navios— impôs aos exportadores brasileiros um prejuízo de cerca de 2,5 bilhões de dólares na safra passada, segundo avaliação das empresas do setor.

“SO FAR, SO GOOD”

Com o plantio da safra brasileira de soja praticamente encerrado, a avaliação da AgroConsult é que todos os fatores apontam para um bom desenvolvimento das lavouras e a confirmação das expectativas de uma colheita abundante.

“Não houve soja plantada fora do período ideal da janela. As janelas estão mais curtas, mas como tinha máquina suficiente, o plantio foi feito adequadamente”, disse André Pessôa, citando pequenos atrasos no plantio em regiões que tiveram falta de chuvas no início do período. “So far, so good. Está indo muito bem.”

Para o especialista, nem as ocorrências de ferrugem asiática e a presença disseminada de uma lagarta exótica assustam neste momento e ameaçam a produção.

Um dezembro mais chuvoso tem elevado os casos da doença fúngica para o período no Brasil.

Além disso, houve um alerta em várias regiões do país desde o início da temporada devido à presença da lagarta Helicoverpa armigera, que apareceu no país pela primeira vez na safra passada, causando grande prejuízos.

“O desempenho do controle da Helicoverpa até aqui é muito acima da expectativa. Houve uma curva de aprendizado muito rápida dos produtores”, disse ele, citando o uso combinado de várias técnicas de controle, e não apenas a aplicação indiscriminada de inseticidas.

Sobre a ferrugem, Pessôa estima que a ênfase dos produtores na soja precoce reduz o período de possível exposição ao fungo e pode cortar uma aplicação de fungicida, em média.

Por outro lado, a safra 2013/14 deve ver um aumento nas aplicações de inseticidas.

“Na média a gente ainda vai ter uma safra mais trabalhosa e custosa, do ponto de vista dos agroquímicos.”

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