December 18, 2013 / 1:27 PM / 4 years ago

Greenpeace diz que anistia russa terá validade para ativistas do Ártico

MOSCOU, 18 Dez (Reuters) - Os 30 ativistas presos na Rússia por protestarem contra a instalação de uma plataforma petrolífera no Ártico podem ser absolvidos graças a uma anistia aprovada por parlamentares russos nesta quarta-feira, disseram advogados e o Greenpeace.

Ativistas do Greenpeace seguram retratos das 30 pessoas presas na Rússia após um protesto contra a exploração de Petróleo no Ártico, durante a cúpula cimática da ONU COP19, em Varsóvia. Os 30 ativistas presos na Rússia por protestarem contra a instalação de uma plataforma petrolífera no Ártico podem ser absolvidos graças a um projeto de anistia que tramita no Parlamento, disseram advogados e o Greenpeace nesta quarta-feira. 13/11/2013. REUTERS/Kacper Pempel

Emendas de última hora no projeto de anistia proposto pelo presidente Vladimir Putin implicam o fim “quase certo” dos processos contra os 30 ativistas, segundo o grupo ambientalista. Além disso, os 26 estrangeiros do grupo, incluindo uma brasileira, poderão deixar a Rússia imediatamente.

A Duma, câmara baixa do Congresso, aprovou por unanimidade a anistia proposta por Putin para marcar o 20º aniversário da Constituição pós-soviética da Rússia. Ativistas de direitos humanos dizem que a anistia atinge apenas uma pequena fração dos mais de meio milhão de prisioneiros do país.

A prisão dos “30 do Ártico”, como o Greenpeace chama o grupo de ativistas, motivou críticas do Ocidente e foi amplamente vista como um sinal de que Putin não irá tolerar qualquer tentativa de impedir a Rússia de explorar os recursos do Ártico.

O arquivamento dos processos eliminaria um dos muitos motivos de irritação do Ocidente com a Rússia a poucas semanas da Olimpíada de Inverno de Sochi, em fevereiro.

Advogados disseram também que duas integrantes da banda punk Pussy Riot —atualmente cumprindo pena de dois anos por causa de um protesto numa catedral de Moscou em 2012— também deverão ser libertadas.

A previsão inicial é de que elas sejam soltas em março, e não está claro em quanto a pena poderá ser abreviada após a aprovação da anistia.

Os “30 do Ártico” foram presos quando a guarda costeira russa abordou um navio quebra-gelo do Greenpeace, o Arctic Sunrise, após um protesto em 18 de setembro em que alguns ativistas tentaram escalar a plataforma petrolífera Prirazlomnaya, a primeira do país no Ártico.

Eles passaram dois meses detidos em condições precárias, foram impedidos de deixar a Rússia após serem libertados sob fiança, e ainda podem ser condenados a sete anos de prisão pelo crime de vandalismo.

“Posso em breve ir para casa, para minha família, mas jamais deveria ter sido indiciado e preso em primeiro lugar”, disse ao Greenpeace o norte-americano Peter Willcox, capitão do Arctic Sunrise.

Reportagem de Maria Tsvetkova e Steve Gutterman

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