December 28, 2013 / 6:03 PM / 5 years ago

Sudão do Sul diz que vai atacar sede rebelde se cessar-fogo for rejeitado

Por Aaron Maasho

JUBA, 28 Dez (Reuters) - As tropas do Sudão do Sul vão atacar a principal fortaleza das forças leais ao ex-vice-presidente Riek Machar, se a proposta de um cessar-fogo feita pelo governo for rejeitada, disse um ministro do alto escalão no sábado.

Mais de mil pessoas já morreram nas duas semanas de confrontos étnicos que ameaçam se transformar em uma guerra civil no mais novo país do mundo. Refugiados abrigados nos campos da ONU falam das atrocidades cometidas pelos dois principais grupos étnicos do país.

O governo do presidente Salva Kiir ofereceu um ramo de oliveira aos rebeldes na sexta-feira, propondo um cessar-fogo e dizendo que pretende libertar oito dos 11 principais políticos que são amplamente vistos como aliados de Machar e foram presos acusados de planejar um golpe contra Kiir.

Mas Machar, ex-vice-presidente de Kiir, rejeitou com frieza a oferta de trégua, dizendo à BBC que qualquer cessar-fogo precisava ter credibilidade e ser imposto de forma adequada para que ele pudesse levá-lo a sério.

“Até que mecanismos de monitoramento sejam estabelecidos, quando uma pessoa diz que há um cessar-fogo unilateral, não há como a outra pessoa ter certeza que isso é um compromisso”, disse Machar.

O ministro das Comunicações, Michael Makuei, disse que na manhã de sábado tropas do governo expulsaram os rebeldes da cidade de Mayom, em Unity State, e estavam prontas para avançar os 90 km até Bentiu, a última capital estadual em poder das tropas de Machar.

“Vamos arrancar (Machar) para fora de Bentiu se ele não aceitar o fim das hostilidades”, afirmou Makuei à Reuters, por telefone, falando da capital Juba.

Os confrontos entre grupos rivais de soldados explodiram em Juba no dia 15 de dezembro, depois desencadearam confrontos na metade dos 10 Estados do Sudão do Sul - frequentemente entre o grupo de Machar, o Nuer, e o Dinka, de Kiir.

“FORÇADOS A COMER CADÁVERES”

Dentro dos campos para refugiados da ONU, que estão servindo de porto seguro para mais de 63 mil civis, muitos Dinkas e Nuers traumatizados dizem que o banho de sangue étnico os deixou paralisados de medo.

“Eles vieram com suas armas e falaram conosco na língua Dinka”, disse Gattuor Gatlek, um homem Nuer, que buscou refúgio no acampamento da ONU, em Juba, na região Tonping, onde outros civis também disseram à Reuters sobre execuções sumárias, estupros e mutilações.

“Eu não sabia falar o idioma, então eles me puxaram para o lado e me forçaram a comer a carne de um cadáver que estava perto de mim.”

Os Dinkas dizem que também têm sido vítimas de atrocidades por motivos étnicos. Em Bor, capital do Estado de Jonglei, estão falando em assassinatos em massa por milícias Nuer, que estão saqueando a região, enquanto um grupo de direitos humanos da ONU disse no início da semana que havia encontrado em Bentiu, cidade controlada pelos rebeldes, uma cova coletiva, cujos corpos acredita-se que sejam de soldados Dinka.

Os Estados Unidos e outras potências ocidentais e governos regionais temem uma guerra civil na frágil região com fronteiras sabidamente permeáveis e estão tentando atuar como mediadores.

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