January 6, 2014 / 12:57 PM / 4 years ago

Imigrantes africanos protestam em embaixadas contra detenção em Israel

Por Baz Ratner

Migrantes africanos participam de protesto na praça Rabin, em Tel Aviv. Milhares de imigrantes africanos protestaram nesta segunda-feira diante de embaixadas ocidentais em Tel Aviv, exigindo a libertação de compatriotas presos por Israel em uma instalação carcerária do deserto com base em uma nova lei que permite detenções por tempo indeterminado. 5/01/2014. REUTERS/Nir Elias

TEL AVIV, 6 Jan (Reuters) - Milhares de imigrantes africanos protestaram nesta segunda-feira diante de embaixadas ocidentais em Tel Aviv, exigindo a libertação de compatriotas presos por Israel em uma instalação carcerária do deserto com base em uma nova lei que permite detenções por tempo indeterminado.

“Chega de prisão”, gritava a multidão que tomava a avenida da orla, em frente à embaixada dos EUA. Os manifestantes também se dirigiram às embaixadas da França, Itália, Grã-Bretanha, Canadá e Alemanha para entregar cargas solicitando apoio internacional contra a política de Israel contra imigrantes acusados de procurar trabalho ilegalmente.

Há três semanas, o Parlamento de Israel aprovou uma lei que autoriza as autoridades a deterem por prazo indeterminado imigrantes que não tenham vistos válidos. A medida foi condenada por críticos como uma violação aos direitos humanos.

Cerca de 60 mil imigrantes, a maioria da Eritreia e Sudão, entraram em Israel a partir do Egito desde 2006, aproveitando uma época em que essa fronteira era mais permeável, segundo autoridades locais.

Muitos dizem procurar refúgio ou asilo. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu já disse que vê a presença de muitos dos africanos como uma ameaça ao tecido social judaico do país.

Desde 2012, a instalação de uma cerca na fronteira com o Egito reduziu o afluxo migratório. Os estrangeiros que já haviam entrado agora podem ser enviados para um local que o governo descreve como uma prisão aberta, no deserto do sul israelense.

No domingo, mais de 10 mil africanos protestaram em frente à prefeitura de Tel Aviv, pedindo a libertação dos imigrantes detidos desde que a lei entrou em vigor - mais de 300, segundo grupos de direitos humanos.

Dezenas de outros foram intimados para serem detidos, entre eles pais de família, segundo ativistas de direitos humanos e funcionários do Acnur (agência da ONU para refugiados).

A nova instalação prisional funciona em regime semiaberto. Os presos podem sair, mas precisam se reapresentar três vezes por dia, e podem ser mantidos por tempo indeterminado à espera da repatriação voluntária, da implementação de mandados de deportação ou da tramitação dos pedidos de asilo.

“Colocar candidatos a asilo sob condições duras, que possam forçá-los a retornar sem ter suas solicitações de asilo examinadas, é algo que pode equivaler a uma violação (das convenções internacionais de proteção a refugiados)”, disse Walpurga Englbrecht, representante do Acnur em Israel, em nota no domingo.

Gideon Saar, ministro israelense do Interior, rejeitou as acusações, dizendo à Rádio do Exército na segunda-feira que a ampla maioria dos imigrantes chega a Israel em busca de empregos, não de asilo. “Mas Israel não é o seu lar, e faremos esforços para assegurar que ele não se torne um Estado de infiltradores”, disse.

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