January 17, 2014 / 7:13 PM / 4 years ago

Dólar cai 0,82% e vai abaixo de R$2,35, com BC e expectativa de fluxos positivos

SÃO PAULO, 17 Jan (Reuters) - O dólar fechou em forte queda nesta sexta-feira, indo abaixo do patamar de 2,35 reais, ainda reagindo à constante intervenção do Banco Central e à perspectiva de entrada de recursos no curto prazo.

A moeda norte-americana perdeu 0,82 por cento, a 2,3462 reais na venda e teve desvalorização de 0,79 por cento no acumulado da semana, segundo tombo semanal seguido. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 1,6 bilhão de dólares.

Analistas vêm identificando o nível de 2,35 reais como um importante piso de resistência, pois ao mesmo tempo que não impacta a inflação, não prejudica as exportações.

“O dólar tende a permanecer entre 2,35 e 2,40 reais pelo menos no curto prazo. Agora, no dia a dia, oscilações pontuais podem ocorrer ao sabor das notícias”, afirmou o operador da corretora Intercam Glauber Romano.

Investidores estão atentos à presença do BC no mercado de câmbio, entendendo que a autoridade monetária não deixará o dólar subir demais para não pressionar os preços por meio do encarecimento de produtos importados.

A autoridade monetária deu continuidade nesta sessão às atuações diárias, vendendo a oferta total de 4 mil swaps cambiais tradicionais —equivalentes a venda futura de dólares— com vencimento em 1º de setembro de 2014, em operação com volume financeiro de 197,9 milhões de dólares. O BC ofertou também contratos com vencimento em 2 de maio, mas não vendeu nenhum.

Além disso, colocou a oferta integral de 25 mil swaps na segunda etapa de rolagem dos contratos que vencem em 3 de fevereiro. Com isso, já rolou pouco mais de 20 por cento do lote total, equivalente a 11,028 bilhões de dólares.

“O pessoal continua vendo necessidade de manter o ‘hedge’. Este é um ano complicado: o fluxo cambial está negativo e deve continuar negativo (no longo prazo). O fato de o dólar ter caído um pouco recentemente não muda esse cenário”, afirmou o operador de câmbio da corretora Renascença, José Carlos Amado.

Segundo dados do BC, o Brasil acumulou saída líquida de 1,217 bilhão de dólares em janeiro até o dia 10 e analistas afirmam que a conta deve continuar pressionada. Isso porque os problemas fiscais domésticos não dão sinais de melhora, piorando o país aos olhos dos investidores, e a redução do estímulo econômico dos Estados Unidos deve continuar limitando a oferta global de liquidez.

No curto prazo, no entanto, a expectativa nos mercados é de entrada de divisas no país, o que também ajudou na queda do dólar neste pregão. Já anunciaram captações no exterior empresas como Petrobras, BNDES, Santander Brasil e Braskem..

Um ajuste agora também contribuiu para o dólar perder terreno, já que na véspera avançou 0,35 por cento ante o real, apesar do aumento de 0,5 ponto percentual na Selic —para 10,50 por cento— anunciado no dia anterior, que tem potencial para atrair mais investidores de fora em busca de melhores rendimentos.

“Ontem, o dólar deveria ter caído, mas acabou subindo com alguns fluxos. O movimento de hoje foi, em parte, um ajuste diante da movimentação do último pregão”, afirmou o superintendente de câmbio da corretora Advanced, Reginaldo Siaca.

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