January 28, 2014 / 12:52 PM / 4 years ago

Governo lança previsão de gastos olímpicos com menos da metade de projetos orçados

Por Pedro Fonseca

Ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, durante coletiva de imprensa em que foi anunciado o orçamento para a Olimpíada do Rio de Janeiro em 2016, no Rio de Janeiro. A dois anos e meio dos Jogos Olímpicos de 2016, o governo anunciou nesta terça-feira a primeira parte do orçamento de projetos voltados exclusivamente para a Olimpíada do Rio de Janeiro, mas menos da metade dos 52 projetos a serem realizados teve previsão de custos divulgada. 28/01/2014. REUTERS/Sergio Moraes

RIO DE JANEIRO, 28 Jan (Reuters) - A dois anos e meio dos Jogos Olímpicos de 2016, o governo anunciou nesta terça-feira a primeira parte do orçamento de projetos voltados exclusivamente para a Olimpíada do Rio de Janeiro, mas menos da metade das 52 obras a serem realizadas teve previsão de custos divulgada.

Pela primeira vez desde a escolha do Rio de Janeiro como sede olímpica em 2009, a Autoridade Pública Olímpica (APO) informou que os 24 projetos já licitados somam 5,6 bilhões de reais, que serão custeados diretamente pelos três níveis de governo ou através de parcerias público-privadas (PPPs), com contrapartidas do Estado aos investidores.

Somado ao orçamento de 7 bilhões de reais divulgado na semana passada pelo comitê organizador dos Jogos (Rio 2016), o custo da Olimpíada até o momento chega a 12,6 bilhões de reais, ou 43,8 por cento dos 28,8 bilhões de reais previstos no dossiê de candidatura da cidade.

A esse montante ainda será somado o custo dos 28 projetos exclusivamente olímpicos ainda não licitados e todas as obras de infraestrutura e reformulação da cidade, incluindo diversas obras de mobilidade urbana, reforma da região portuária e a despoluição da Baía de Guanabara, o que sugere um estouro do orçamento da candidatura.

“Aqui está o coração dos Jogos, se você tem (quase) metade dos valores da candidatura, esse é um sinal importante”, disse a jornalistas o secretário-executivo do Ministério do Esporte, Luis Fernandes.

Segundo ele, ainda não é possível antecipar o valor final do orçamento dos Jogos com base no que já foi divulgado. Em comparação, a Olimpíada de Londres custou cerca de 35 bilhões de reais (8,9 bilhões de libras).

A matriz de responsabilidade dos Jogos Olímpicos, documento que define as obrigações de cada ente federado na preparação para o evento, inclui somente os projetos que serão executados devido à Olimpíada, em especial as arenas esportivas e os locais de acomodação para atletas e jornalistas.

O orçamento das obras públicas que precisaram ser antecipadas devido aos Jogos será divulgado em março. O custo total das obras de infraestrutura e dos projetos exclusivos da Olimpíada foi estimado no dossiê da candidatura carioca em 23,2 bilhões de reais.

“A estimativa dos Jogos está no dossiê. Agora estou tratando da execução, é diferente do dossiê. Não vou adivinhar ou chutar, e a matriz vai evoluindo. No ano de 2014, com a inclusão de Deodoro, a matriz vai avançar bastante”, disse o presidente da APO, general Fernando Azevedo. Segundo ele, o complexo de Deodoro, sede de 11 modalidades olímpicas e de responsabilidade da prefeitura do Rio, será licitado em abril.

NOVAS RESPONSABILIDADES

Na semana passada, o comitê organizador dos Jogos (Rio 2016) anunciou um orçamento de 7 bilhões de reais para suas operações, uma alta de 2,8 bilhões de reais em relação ao dossiê da candidatura.

O comitê informou que não terá recursos públicos, apesar da previsão na candidatura de um aporte de até 1,4 bilhão de reais. A decisão foi tomada depois de a Fifa ter sido alvo de protestos no ano passado, durante a Copa das Confederações, pelo uso de recursos do governo para o Mundial deste ano.

Apesar de garantir que não haverá repasses de recursos, a APO disse que algumas responsabilidades atualmente do Rio 2016 podem passar para os entes federados. Como possíveis exemplos, o general Azevedo citou a montagem da arena do vôlei de praia em Copacabana e a adaptação do Maracanã para a cerimônia de abertura dos Jogos.

“A diretriz dos entes federativos é não passar recursos ao Rio 2016. Apesar de estar no dossiê, a decisão agora é não passar recursos. Se for o caso, os entes vão assumir projetos ou serviços”, disse o presidente da APO.

O anúncio do orçamento aconteceu uma semana após visita ao Rio do presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, que fez um alerta aos organizadores afirmando que o tempo é uma questão-chave para a realização bem-sucedida dos Jogos.

Apesar de ter sido eleita em 2009 para realizar a primeira Olimpíada na América do Sul, o Rio de Janeiro enfrenta problemas em alguns aspectos da preparação, como a despoluição da Baía de Guanabara e as obras do Complexo Esportivo de Deodoro.

De acordo com a presidente da Empresa Olímpica Municipal do Rio, Maria Silvia Bastos Marques, “Deodoro é uma missão difícil, mas está longe de ser impossível”.

Reportagem adicional de Rodrigo Viga Gaier

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